Os bancos renegociaram 13,5 milhões de contratos de operações de crédito em dia, com saldo devedor total de R$ 782,3 bilhões, entre 16 de março a 24 de julho. Essa informação foi divulgada pela Febraban (Federação dos bancos) após críticas ao devido a falta de transparência, aumento de juros e dificuldade para dar crédito aos que mais precisam durante a pandemia.

De acordo com a Febraban a suspensão no pagamento de parcelas é uma medida adotada pelos bancos para contribuir no enfrentamento da pandemia da covid-19. Contudo, é necessário cuidado por parte dos consumidores, pois a suspensão ou renegociação de um contrato de empréstimos geralmente resulta em aumento das taxas de juros e das parcelas, gerando endividamento do consumidor no longo prazo.

Segundo a Febraban, a soma das parcelas suspensas dessas operações repactuadas totaliza R$ 101,6 bilhões. “Esses valores trazem alívio financeiro imediato para empresas e consumidores, que passaram a ter uma carência entre 60 a 180 dias para pagar suas prestações, sendo que a maioria dos agentes beneficiados com prorrogação de parcelas é representada por pequenas empresas e pessoas físicas (R$ 57,4 bilhões)”, informou a Febraban.

Pesquisa realizada pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) mostrou que 60% dos pequenos negócios que buscaram empréstimo no início da crise do coronavírus tiveram esse crédito negado. As dificuldades persistem e há uma preferência de refinanciar linhas já existentes do que abrir linhas novas.

Evolução dos Juros
“Mesmo com o aumento do risco nas operações de crédito e a expectativa de aumento expressivo da inadimplência, que já se refletiu na forte elevação das provisões, as taxas de juros e os spreads bancários recuaram entre fevereiro e junho deste ano”, informou a Febraban em nota.

A taxa de juros para o conjunto das operações de crédito recuou de 23,1% para 19,3% ao ano. E o spread (diferença entre taxa de captação dos recursos pelos bancos e a cobrada dos clientes) médio das operações de crédito caiu de 18,6% para 15,6%.

O recuo foi confirmado nos meses de maio, junho e julho pela Anefac, associação de executivos que divulga e acompanha a evolução da taxa juros no país. Essa redução, segundo eles, é decorrente da redução da taxa Selic, realizada pelo governo federal neste ano.

Contudo, o diretor executivo da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que “as condições de crédito pioraram, sejam na elevação das taxas de juros ,seja porque os bancos em um ambiente de maior risco de crédito estão mais seletivos e restritivos por não saberem por quanto tempo esta crise vai permanecer e os reais impactos nas empresas”. O que indica necessidade de cuidados.

Perspectiva de melhora

O Banco Central informa que houve uma desaceleração dos créditos após maio, mas que medidas foram tomadas pelo governo e espera que volte a haver um crescimento forte dos empréstimos, sobretudo às micro e pequenas empresas, a partir de agosto.

com informações Agência Brasil