Tratados como inimigos pelo governo federal, os servidores públicos ficarão sem reajustes de salários até 2022. A justificativa do governo é que é impossível aumentar salários durante o período da pandemia. Com isso, união, estados e municípios ficam proibidos de reajustar salários.

Porém, antes de proibir o reajuste para todos, o governo federal garantiu um aumento de salários para os policiais militares do Distrito Federal e antigos territórios. Desta forma fez um agradado para parte de sua base eleitoral.

Esse reajuste pode ser considerado uma injustiça com servidores de outras categorias, mas cria uma distorção até mesmo entre as polícias, pois atende apenas a polícia de Brasília e territórios, enquanto os militares de outros estados ficam proibidos de receber qualquer aumento.

Com a proibição, categorias que recebem salários elevados, como juízes, funcionários federais e procuradores do Ministério Público ficarão sem reajustes. Mas a norma não difere entre os que recebem muito ou pouco. Por isso, lixeiros, faxineiros, professores do ensino fundamental e enfermeiros, categorias que recebem baixos salários, também ficam sem aumento por mais um ano.

A ação, justificada pela pandemia, não é isolada e faz parte de um entendimento do setor econômico do governo federal que identifica o funcionalismo público como o grande problema econômico do país. Em uma reunião ministerial em 22 de abril desse ano, o ministro da Economia, Paulo Guedes disse “já colocamos a granada no bolso do inimigo (na opinião dele, os servidores públicos), dois anos sem aumento”.

Ontem, as declarações e ações do governo, num desespero para proibir qualquer chance de reajuste, mostrou que esse pensamento ainda prevalece. O Brasil tem miséria, pandemia, altos índices de violência, desemprego em alta, educação em crise, mas o inimigo principal do governo é o servidor público.