A CPI que investiga desvios no programa Bolsa Moradia realizou suas primeiras reuniões esta semana. O objetivo é investigar um desvio que pode chegar a 4 milhões, segundo anunciou o prefeito de Contagem, Alex de Freitas.

A prefeitura encontrou indícios de desvios de recursos do Bolsa Moradia, programa destinado ao pagamento do aluguel para aqueles que tiveram suas casas afetadas por calamidades, risco de desmoronamento ou desapropriação por causa de obras públicas. Atualmente, o valor do auxílio é de R$ 700 por família. Ainda de acordo com a prefeitura, em apuração preliminar, a irregularidade pode ter começado em julho de 2018, sendo que março deste ano registrou o maior volume de desvios.

Essas fraudes estariam, segundo denúncia, sendo feitas por um ex-servidor que era o responsável pela gestão do programa e estaria desviando recursos para depósitos em contas as quais ele mesmo seria o beneficiado. O caso é investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pela Câmara dos Vereadores.

A CPI solicitou a quebra de sigilos bancário e telefônico do servidor Tony Anderson, apontado como suspeito. Os vereadores pediram, também, que a prefeitura informe o nome de todos os servidores e funcionários terceirizados que tinham acesso às senhas de movimentação do sistema de pagamento.

Segundo o vereador Zé Antônio durante reunião da CPI transmitida ao vivo na internet, é necessário comprovar a real participação e a culpa de todos os possíveis envolvidos.

Disputas políticas e uso eleitoral

A comissão de inquérito é formada pelos vereadores Zé Antônio do Hospital Santa Helena (PT) como presidente, Daniel do Irineu (Progressistas) na vice-presidência e Silvinha Dudu (PV) como relatora. Os outros dois integrantes são Alex Chiodi (Solidariedade) e Alessandro Henrique (PTC).

Contudo a disputa pela presidência da Comissão, que pode dar destaque e causar inconvenientes para a Prefeitura em pleno ano eleitoral foi razão de rusgas entre os vereadores.

O vereador Daniel do Irineu, cujo pai é candidato a prefeito em oposição ao atual governo, questionou a escolha de Zé Antonio como presidente da Comissão e disse que o objetivo dele e da vereadora Silvinha Dudu era o de proteger o prefeito Alex de Freitas, que é do PSDB.

Na reunião do dia 25, a vereadora Silvinha Dudu utilizou a votação dos destaques para afirmar que estava ali, na posição de relatora, para defender os interesses da população de Contagem e salientou que exigia da prefeitura agilidade para ajudar as famílias que dependem do Bolsa Moradia.

A audiência para ouvir os envolvidos e os representantes da Prefeitura ainda não foi marcada.

Para o prefeito Alex de Freitas, “o interesse e todo o esforço da equipe, agora, é para reaver, se não a totalidade desse recurso, pelo menos parcialmente, já que parte deve ter virado patrimônio e alguns bens”.