Cidade

Após três adiamentos do edital, apenas uma empresa apresentou interesse no PMI do Parque Fernão Dias

Houve pouco interesse de empresas em realizar os estudos que serão utilizados para licitação e concessão dos serviços de lazer e visitação no parque Fernão Dias. Apenas uma associação de duas empresas se apresentou.

A partir de agora, o IEF irá avaliar a documentação apresentada e se aprovada as empresas terão 90 dias para apresentar os estudos previstos no edital do PMI.

De acordo com o IEF, “Espera-se que a parceria com a iniciativa privada viabilize o aprimoramento e a diversificação dos serviços de visitação ofertados pela APA, além de garantir o aproveitamento sustentável das potencialidades econômicas existentes, com a atração de investimentos e geração de empregos, e maior eficiência na gestão e na conservação da biodiversidade, uma vez que os esforços do setor público poderão ser concentrados neste âmbito”.

ESTADO AVANÇADO DE DETERIORAÇÃO

O Parque está fechado desde 2016, quando foi criada a APA Fernão Dias. Hoje o parque tem um Conselho Consultivo, mas não existe uma equipe de funcionários ou de manutenção e a estrutura está sucateada.

A equipe do Coluna1 entrou no parque e constatou os vários danos na estrutura do local.

QUEM JAMAIS ESQUECE NÃO PODE RECONHECER

Muitas pessoas que cresceram em Contagem nas décadas de 1980 e 1990 passaram pelo menos uma vez nas duchas do Parque Fernão Dias, tomou tombos na pista de ciclismo ou, quando criança, se escondeu em uma das casinhas da “cidade das crianças” no parque.

Quem sabe, em uma visita escolar, essa criança da década de 1990 chegou a conhecer o centro da polícia ambiental que existia dentro do parque. Hoje nada mais existe. Só ruínas de um passado nem tão distante assim.

Entramos no parque sem esforço, por um buraco na cerca do lado da portaria principal. Logo em frente, uma sede administrativa em ruínas. A pista do velódromo, usada para ciclismo de velocidade, mantém ainda sua grandiosidade e altivez, mas o mato e as rachaduras mostram que há muito ninguém pedala por ali.

Já a pista de bicicross, para corridas de bicicleta com obstáculos na terra, apesar de deteriorada, acumula marcas de pneus e rastros de que tem mais gente passando pela cerca para andar de bicicleta dentro do parque.

Os prédios dos antigos restaurantes do parque desabaram e não terão nenhuma utilidade para as empresas que quiserem assumir a gestão das visitações e turismo no parque. A antiga cidade das crianças, virou ruína e perigo para quem queira se arriscar entre suas paredinhas.

Contudo, o grande patrimônio do parque continua de pé. Sua reserva ecológica e suas trilhas continuam lá e o espaço mantém as características necessárias para o uso por parte da população. É nesse patrimônio natural que o IEF aposta para atrair investimentos e recuperar este espaço precioso da cidade e do Estado.

LUTA DIÁRIA

Se o parque ainda está lá e não sucumbiu a pressão urbana ao seu redor é pelo esforço daqueles que o valorizam e trabalham para mantê-lo. O gerente do parque, Marcus Vinicius de Freitas, listou uma série de esforços que estão sendo feitos para gestão da APA.

Segundo ele, foi realizada a reforma do INECAC, com recursos da Prefeitura, e que será a sede da APAE Vargem das Flores, o NUCAR e a AFLOBio, sendo que estes dois últimos são instrumentos de gestão ambiental do IEF.

Também está sendo realizada toda troca e manutenção da cerca da unidade, com recurso de R$470mil através de emenda paralamentar da deputada Marília Campos e execução do DEER/MG.

Marcus ainda destaca a elaboração do Plano de Manejo da Unidade e o Projeto Trilhas Gerais para incrementar uma possível utilização da área interna do parque. Mas, por enquanto, o que espera-se é a conclusão do processo de concessão do parque à iniciativa privada.

EXPECTATIVA AO REDOR

Moradores e comerciantes próximos ao parque esperam melhorias para o futuro. Flávio Roberto Martins, que mantém um bar na entrada do parque há mais de trinta anos conta que “o parque já estava subutilizado antes do fechamento. Agora é esperar pela melhora”. Ele diz que não conta com o movimento do parque para o seu empreendimento, mas que se houver uma reabertura com aumento de demanda será muito bom.

Alguns moradores ouvidos pela reportagem no entorno do parque acreditavam que entre as intervenções que seriam feitas no parque estava a criação de uma via de trânsito cortando a área do parque e dando acesso à via expressa e a Betim. Mas Marcus Vinicius afirma que esta não é uma hipótese a ser considerada.

“De forma alguma. O objetivo da unidade é a proteção e conservação dos recursos naturais. Uma via publica causaria um impacto significativo principalmente a fauna. Pretendemos e estamos buscando parceria para revitalização da unidade em sua área de uso público. Agora em Contagem e posteriormente em Betim. Somente em área antropizadas e sem supressão de indivíduos arbóreos.”, disse o Gerente.

HISTÓRIA DO PARQUE FERNÃO DIAS

O Parque Fernão Dias é uma das maiores áreas verdes localizadas mancha urbana da região metropolitana de Belo Horizonte. São 98,45 hectares, nos municípios de Contagem e Betim.

Ele foi construído na década de 1980 em um terreno doado ao Estado. Posteriormente foi acrescido com uma área extra, mas não contínua ao terreno original.

Existem diversas espécies de fauna na região como Caxinguelê, Saguis, Micos, Gambás, além de aves e serpentes. A flora também é rica, com Jacarandá, Jequitibás, Cedros e várias outras espécies típicas.

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