O aumento dos preços, principalmente nos alimentos, bebidas e botijão de gás, fez com que a população pobre fosse a mais afetada pelo aumento de preços. Em um ano, a inflação aos mais pobres chega a 4,3% e para os ricos fica em 1,8%.

Os dados são de levantamento realizado pelo IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, vinculado ao governo federal.

De acordo com o instituto, quase 75% da variação total da inflação das famílias mais pobres em setembro veio dos alimentos e bebidas, com as altas do arroz (18%), do óleo (28%) e do leite (6%). O aumento dos materiais de limpeza (1,4%) e do gás de botijão (1,6%) também ajudou a compor, embora em menor intensidade, a pressão inflacionária entre a parcela mais pobre da população.

No caso das famílias mais ricas, a alta de preços dos alimentos e da gasolina (2%) foi atenuada pelo recuo nos planos de saúde (-2,3%) e nas mensalidades de cursos diversos, como os de idiomas (-1,5%) e informática (-1,6%).

Com o resultado de setembro, a variação do Indicador Ipea no acumulado do ano atingiu 2,5% para a população de renda muito baixa – mais de oito vezes superior à da parcela de renda alta (0,2%). A desaceleração dos preços dos serviços também proporcionou um alívio maior na inflação da classe mais rica: os serviços livres registraram deflação de 0,05% no ano, devido principalmente às passagens aéreas (-55%) aos preços de hospedagem (-9%) e às mensalidades das creches (-1,7%).

Os número são perceptíveis na prateleira dos supermercados e já refletem no consumo das famílias. No segundo trimestre de 2020, medido até setembro, a queda no consumo das famílias registrado pelo IBGE foi de 12,5%.