Brasil

Bolsonaro continua usando a saúde para fazer política e volta atrás um dia após governo anunciar compra de vacina chinesa

Os eleitores do atual presidente devem ficar vendo o governo e se sentindo em uma música do Djavan, “você disse que não sabe se não, mas também não tem certeza que sim”. Faz tempo que a incerteza tomou lugar nas reuniões ministeriais e frequenta a sala de cafezinho da presidência da república. E nós, como ficamos? Continuamos esperando São Jorge aparecer com um dragão, um milagre, uma intervenção divina ou algo semelhante.

Ontem a noite foi divulgado em todos os canais de comunicação oficial do governo federal que o Brasil compraria as vacinas desenvolvidas em um laboratório chinês e fabricadas pelo instituto Butantã em São Paulo. Hoje Bolsonaro voltou atrás. Ficou “irritadinho” nas redes sociais, publicou que o anúncio do Ministério da Saúde era um “desrespeito” e que não ajudaria o governador Doria de São Paulo.

Dito isto, a compra de vacinas da China subiu no telhado. Mas, deve ser por pouco tempo. O governo Bolsonaro tem tido muitos momentos de vai e volta.

Disseram que teria Renda Cidadã, depois disseram que não teria mais; depois disseram que teria sim, mas agora já não sabe se vai. No metrô em Belo Horizonte, a mesma coisa, um ministro diz que vai ter, depois outro ministro diz que não vai ter. No caso dos planos de reaquecimento econômico a mesma coisa, os ministros militares dizem uma coisa, o ministro da fazenda diz que não. E assim a vida segue sem rumo no governo Bolsonaro.

Se confirmada a aquisição das vacinas chinesas, que deve acontecer quando a realidade se impor sobre os delírios presidenciais de guerra fria, o Brasil deverá ter ter condições de realizar vacinação em massa ainda no 1ºsemestre de 2021, se não houver atrasos nos testes das vacinas. Para isso é necessário somar as doses de vacinas já compradas de outros laboratórios com as compradas do laboratório chinês.

Cumpre lembrar que todos os países do mundo estão correndo atrás de vacinas, por isso os laboratórios que as produzem estão cobrando caro e mesmo assim não tem condições de fornecer para todos. A vantagem da vacina chinesa é que ela será produzida no Brasil.

A Coronavac, que seria contratada pelo governo federal, é produzida pelo laboratório Sinovac da China em parceria com o Instituto Butantã de São Paulo e é uma das vacinas em fase mais avançada de testes. O governo paulista espera que esta vacina já possa ser utilizada no Estado a partir de novembro.

A decisão de contratar a vacina chinesa tinha acontecido após uma reunião virtual do ministro da saúde com governadores na tarde de ontem (20). O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, assinou o protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da vacina CoronaVac.

Segundo o Ministério da Saúde, esta ação era mais um passo na estratégia de ampliar a oferta de vacinação para os brasileiros. O ministério já tinha acordo com a AstraZeneca/Oxford, que previa 100 milhões de doses da vacina, e outro acordo com a iniciativa Covax, da Organização Mundial da Saúde, com mais 40 milhões de doses.

Somadas, as três vacinas – AstraZeneca, Covax e Butantan-Sinovac – representam 186 milhões de doses, a serem disponibilizadas ainda no primeiro semestre de 2021.

Segundo o ministro, as doses serão distribuídas em todo o Brasil por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Agora, já não se sabe mais o que acontecerá. Como diz uma velha senhora, deusdará. Amém. E o gigante, como segue? Em quarentena.

Tudo que se segue abaixo, faz parte do texto divulgado ontem na Agência Brasil sobre o acordo cancelado hoje:

O acordo

Para o protocolo de intenções de compra de doses da CoronaVac, uma nova medida provisória será editada para disponibilizar crédito orçamentário de R$ 1,9 bilhão. O Ministério da Saúde já havia anunciado, também, o investimento de R$ 80 milhões para ampliação da estrutura do Butantan – o que auxiliará na produção da vacina.

Segundo o Ministério, o processo de aquisição ocorrerá após o imunizante ser aprovado e obter o registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Produção local

Além destas doses iniciais, a partir de abril, a Fiocruz deve começar a produção própria da AstraZeneca e disponibilizar ao país até 165 milhões de doses durante o segundo semestre de 2021. O acordo do Instituto Butantan com a Sinovac também prevê a transferência de tecnologia e, com isso, o Butantan deve passar a produzir 100 milhões de doses por ano com sua nova fábrica.

A expectativa do Ministério da Saúde é que a vacinação possa ser iniciada em janeiro do próximo ano. Mas alerta que isso vai depender dos resultados da Fase 3 das vacinas, que testa eficácia, e de liberação da Anvisa.

Segundo o ministério, o primeiro grupo a ser imunizado serão os profissionais da saúde e pessoas do grupo de risco para a covid-19 (a doença provocada pelo novo coronavírus). A vacinação, segundo o órgão, não será obrigatória.

Testes

A CoronaVac já está na Fase 3 de testes em humanos. Ao todo, os testes com a CoronaVac – que tiveram início no Brasil em julho – serão realizados em 13 mil voluntários.

Caso a última etapa de testes comprove a eficácia da vacina, ou seja, comprove que ela realmente protege contra o novo coronavírus, o acordo entre a Sinovac e o Butantan prevê a transferência de tecnologia para produção do imunizante no Brasil. A CoronaVac prevê a administração de duas doses por pessoa.

Ontem (19), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, anunciou que a CoronaVac é uma vacina segura, ou seja, ela não apresenta efeitos colaterais graves. Ele também disse que os resultados de eficácia ainda não foram finalizados, mas que ele espera que isso seja possível de acontecer até dezembro deste ano.

fonte: Agência Brasil

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