Cidade

Saída econômica para muitos, bancas de camelôs e vendedores ambulantes tomam conta do Eldorado

Tem de tudo nos camelôs da João César. De guarda-chuvas a coador de café, passando por redes da Paraíba e bugigangas da China. A rua é, mais do que nunca, o ganha pão de muitos “empreendedores” do Brasil. No caso de Contagem, a tomada das ruas por camelôs é resultado da união de necessidade econômica com a oportunidade criada pela falta de fiscalização da prefeitura.

Nossa reportagem percorreu a Avenida João César de Oliveira, no Eldorado, e conversou com muitos vendedores ambulantes. A maioria não é novata e já atua vendendo produtos nas ruas há alguns anos. De acordo com muito, a escolha de vir vender em Contagem foi mesmo pela pouca fiscalização.

CRIATIVIDADE É CHAVE DO SUCESSO

Com tanta concorrência, é preciso inovar para ter sucesso. Lucas Oliveira, por exemplo, produz copos e produtos de alumínio com o pai. Na Avenida João César ele já vende o kit completo com copo, bule e coador de café. Mas se quiser levar cada item separado também pode.

“Meu pai criou a gente assim [com o trabalho em alumínio]. Ele estudou e formou a gente. Eu trabalhava na Fiat, ganhava um dinheiro bom, mas era muito estresse. Larguei o emprego lá e comecei a trabalhar com ele aqui. Hoje ganho até mais do que ganhava lá e com muito mais tranquilidade”, conta.

Segundo ele a pandemia assustou um pouco no começo. Fez ele e o pai migrarem de um lugar pra outro atrás de algum ponto em que a venda fosse permitida. As vendas na internet e a parceria com outros comerciantes também ajudaram a enfrentar o pior momento, mas ele não reclama das vendas. “A gente já trabalhava na João César, mas há um mês e pouco os fiscais foram embora e a gente veio vender aqui de vez”.

Criatividade também é o diferencial de Robson Medeiros, outro ambulante da João César. Ele produz e vende na rua a “Agulha Mágica”, uma agulha para bordados especiais que, segundo ele, tem vendido muito bem. “Arrumei até tendinite fazendo isso”, conta satisfeito.

Robson diz que há 30 anos vende o produto, sempre nas ruas, e a pandemia fez ele aumentar suas vendas. “Na internet tem vendido muito, a gente também faz parceria com algumas lojas de tecido e linha, eles vendem meu produto e eu faço propaganda da linha que eles vendem” e assim, segundo ele, vão levando e vivendo a vida.

Robson diz que a neta chegou a perguntar se ele tinha medo que os produtos industriais substituíssem o produto dele. Mas, na opinião dele, esse não é um risco; o produto é bom e sempre terá espaço.

Outro que marcou ponto na João César recentemente foi Vagner Tomaz. Ele vende panelas e utensílios de cozinha. Há 4 anos ele trabalha nesse ramo, mas há 15 dias veio para a João César e têm vendido bem.

Vagner conta que “os primeiro dias da pandemia foram difícies, mas depois a gente já voltou a trabalhar; nas avenidas principais a gente tinha dificuldade de ficar, tinha fiscalização, mas nas ruas dos bairros a gente conseguia vender”.

E assim, de venda em venda, muitos vivem do próprio trabalho entre transeuntes distraídos e concorrência barulhenta.

NÃO ESTÃO SOZINHOS

São vários os trabalhadores informais no Brasil. Gente como os muitos camelôs e ambulantes da Avenida João César. Segundos dados da PNAD, o desemprego no Brasil saltou de 10,5% em maio para 14,4% em setembro.

Muitos também são os informais, que foram quase 38% da população em setembro e ainda aqueles que “trabalham por conta própria”, que eram mais 21 milhões no último levantamento do IBGE.

As pessoas precisam e vão trabalhar. Um comerciante que trabalha na João César há mais de 30 anos, disse que a quantidade de ambulantes na região aumentou muito e, segundo ele, “deve aumentar ainda mais quando o auxílio emergencial acabar”. É um fato e uma possibilidade.

Hoje o auxílio emergencial está presente em 43,6% dos domicílios brasileiros. Seu encerramento, previsto para dezembro, irá agravar ainda mais a situação econômica das famílias.

As pessoas precisam e vão trabalhar de algum jeito. Cabe então a prefeitura dizer como vai organizar a cidade para evitar que o trabalho de uns prejudiquem o trabalho dos outros ou atrapalhe o funcionamento da cidade.

Há uma semana o Coluna1 perguntou à prefeitura quais as ações estão sendo tomadas e pedimos posicionamento do governo municipal em relação ao aumento de ambulantes. Mas, ainda não recebemos respostas. Caso a prefeitura se manifeste, a resposta será inserida aqui.

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