Economia

Índice que corrige valores de alugueis tem alta de 24,52% no ano e gera incertezas nas relações entre proprietários e inquilinos

O índice mais usado para corrigir os valores de alugueis no Brasil teve um aumento de 24,52%, quase seis vezes maior que o IPCA, que é o índice oficial de inflação, medida pelo IBGE e utilizado pelo governo, hoje em 4,22% nos últimos 12 meses.

Segundo especialistas, o IGP-M é o índice mais usado no setor de locação, pois considera uma maior quantidade de produtos para o cálculo da inflação e inclui, especialmente, a variação dos preços no setor de construção civil.

Eles alertam que, se o contrato entre proprietário e inquilino inclui esse índice para correção, o proprietário poderia aplicar essa correção. Porém, como as condições econômicas do país não são favoráveis e o mercado de locação não está aquecido, eles sugerem uma negociação de valores amigável entre as partes. Mas o proprietário, se quiser, pode utilizar o contrato e essa situação tem tirado o sono de muitas pessoas e comerciantes que pagam aluguel de imóveis.

“Na maioria dos casos, tem havido uma negociação entre proprietários e inquilinos em que se tem chegado à adoção de índices de reajuste que estejam mais próximos da inflação oficial medida pelo governo”, disse Marcelo Borges, diretor de Condomínio e Locação da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), que representa empresas de administração de condomínio e imóveis, em entrevista à agência de notícias do governo.

O termômetro oficial da inflação no Brasil é medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que acumula alta 3,13% em 2020, e no acumulado dos 12 meses teve variação de 4,22%, valor quase seis vezes inferior ao IGP-M medido no mesmo período.

Conhecido popularmente como “inflação do aluguel”, justamente por servir de base para os reajustes nesse mercado, o IGP-M foi criado na década de 40 para medir os preços de forma geral, e seu objetivo é ser mesmo mais abrangente do que outros índices de preços, normalmente atrelados a segmentos como Índice de Preços do Atacado Mercado (IPA-M), Índice de Preços do Consumidor Mercado (IPC-M) e Índice Nacional de Custo da Construção Mercado (INCCM). Apesar de quase todo contrato de locação prever reajuste com base no IGP-M, ele não precisa ser necessariamente adotado entre as partes.

“Se a gente for analisar friamente, o locador tem direito de aplicar o reajuste pelo IGP-M previsto em contrato. Nesse caso, o locatário não teria direito de contestação na utilização de um índice com o qual ele concordou. Porém, a gente vive uma realidade econômica muito especial, afetada por uma pandemia sem precedentes, e é desejável que haja ponderação nesse momento”, afirma Borges, diretor da Abadi.

com Agência Brasil

Categorias:Economia

Marcado como:, , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s