Análise

Primeira semana de governo foi acelerada e mostra uma prefeita disposta a ser protagonista

A primeira semana de Marília Campos como prefeita de Contagem foi acelerada. Em cinco dias a prefeita teve que lidar com a derrubada do Iria Diniz, com o aumento dos casos de Covid-19, com a ameaça da chuva, com a retomada de obras paradas, além da montagem de equipe e burocracias de início de governo. Apesar disso, o governo conseguiu marcar um estilo e indicar caminhos.

A mais notável mudança foi na comunicação.

Com Marília, a comunicação  deixou de ser Secretaria e passou a estar vinculada ao Gabinete da Prefeita. Mas, mesmo com o “rebaixamento”, em cinco dias úteis se produziu muito mais do que nos últimos seis meses do governo Alex.

Mesmo antes da pandemia, a comunicação oficial do governo Alex era técnica e restrita às rotinas da prefeitura, evitava pautar polêmicas.

Agora, nesta primeira semana de Marília, a comunicação oficial assumiu o protagonismo da agenda na cidade e antecipou polêmicas.

Contagem foi pauta nos grandes jornais da região metropolitana em pelo menos duas situações: na mudança do Iria Diniz e nas ações de combate à pandemia.

As duas situações eram delicadas e potencialmente perigosas para a imagem do governo, mas a equipe da prefeita conseguiu conduzir a situação de forma exemplar; a prefeitura pautou os fatos e saiu mais forte do que entrou.

Marília conseguiu o quase inimaginável: ela lançou dúvidas sobre a estratégia adotada pelo prefeito de Belo Horizonte para combater o Covid-19 e criou um contraponto sensato ao prefeito Alexandre Kalil.

Se na capital Kalil fez da intransigência sua marca de sucesso; em Contagem Marília adota o diálogo como caminho preferencial. Ela não negou a doença ou diminuiu sua importância, mas também não “atropelou” as razões justas daqueles que questionam as medidas mais radicais de isolamento social.

Foram realizadas reuniões com o presidente da Câmara, Vereador Alex Chiodi; com os camelôs; com os representantes dos cristãos da cidade, com a CDL e com representantes de diversos setores econômicos da cidade. Em todas essas reuniões a prefeita estava presente e liderando o diálogo.

Nada é por acaso; nem na vida nem na política. Nas apresentações e entrevistas divulgadas até agora é comum aparecer a frase “Contagem agora tem prefeita…” Essa estratégia de destacar o protagonismo de Marília Campos foi o caminho adotado e trilhado nessa primeira semana.

Isso fica mais evidente quando analisamos as notícias pautadas pela prefeitura. Desde o dia 1º de janeiro, o governo postou 13 notícias em seu site. Os títulos de onze dessas notícias começavam com “Prefeita Marília” ou simplesmente “Marília Campos”.  E mais, entre as imagens utilizadas para ilustrar, doze das treze notícias traziam a imagem da prefeita em destaque.

Para se fazer uma comparação, considerando as treze primeiras notícias postadas no governo Alex de Freitas, apenas uma citava o prefeito no título; nas imagens, somente três estampavam a imagem de Alex de Freitas com destaque.

Marília optou por caminho diferente. Ela assumiu pessoalmente o protagonismo do governo em vários setores, de saúde a obras. Todas as pautas principais do governo tiveram a participação da prefeita. A mensagem principal que fica para quem acompanha as notícias foi que estamos sob nova direção e não há dúvidas sobre quem manda na prefeitura. A mensagem é clara, quem manda é ela, “Contagem tem prefeita”.

Há quem possa criticar. Mas é um bom sinal. Ao mesmo tempo em que propõe o diálogo, a administração municipal impõe o limite e deixa claro a hierarquia. Mais que isso, os eleitores votam esperando que aquele em que depositaram a confiança trabalhe para resolver os problemas. É isso que Marília demonstrou: trabalho pessoal.

Curioso que tudo isso acontece na semana em que o presidente Bolsonaro disse que “o país está quebrado” e que ele “não pode fazer nada”.

Se por aqui seguissem o exemplo de Brasília, Marília poderia assumir e dizer “derrubaram o Iria Diniz e eu não posso fazer nada” ou ainda “Belo Horizonte fechou o comércio e eu não posso fazer nada, vamos fechar também”. Mas optou-se nesta semana por um caminho próprio.

O tempo irá dizer se é possível sustentar o ritmo de trabalho. O desafio que o governo tem pela frente não é prova de velocidade, é uma maratona. Mas, considerando todo o contexto, Marília conseguiu um bom começo de governo na cidade.

foto: PMC/Secom

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