Pandemia

Contagem começa a vacinação dos grupos prioritários, mas vacina para todos é uma realidade distante

Hoje, dia 19 de janeiro de 2021, menos de um ano após o início da pandemia no Brasil, a cidade de Contagem e a região metropolitana de Belo Horizonte começaram a vacinação contra a Covid-19. Um alívio para a população que vem se virando entre incertezas desde março de 2020.

Contagem recebeu 5.461 doses para a vacinação do grupo prioritário, que são os profissionais de saúde de linha de frente e idosos que moram em asilos (institucionalizados). Hoje, a cidade conta com 4.815 profissionais de saúde, sendo que destes, mil estão em linha de frente no combate ao novo coronavírus. O município possui 62 mil idosos, sendo que 750 moram em asilos.

A vacinação teve início com 10 profissinais das equipes volante do Hospital Municipal e do Hospital de Campanha Santa Helena.

“A chegada das vacinas renova a minha esperança! Contagem recebeu, agora, 5.461 doses de vacinas contra a Covid-19 e a imunização começa amanhã, dia 20. Estou muito emocionada e confiante de que vamos ter tempos melhores!”, afirma a prefeita Marília Campos.

CONTINUIDADE DE VACINAÇÃO EM DÚVIDA

A falta de insumos para produzir mais vacinas é o grande risco no momento para começar a vacinação. Tanto a Índia quanto a China, que são produtores dos insumos utilizados para produzir as vacinas autorizadas no Brasil, estão atrasados no envio do material.

Sob críticas de vários países, o governo da Índia optou por vacinar sua população primeiro e priorizar a exportação para seus países vizinhos, considerados “parceiros estratégicos”.

O representante da Índia na OMC criticou os países ricos e o Brasil pela campanha realizada em 2020 para impedir a quebra das patentes de medicamentos. Segundo o chanceler indiano, se o mundo tivesse decidido pela quebra de patentes, muitos países que têm bons laboratórios – como o Brasil – poderiam estar produzindo de forma independente e segura, mas não podem fazer, pois estão presos às legislações de propriedade intelectual.

Segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo e UOL, nesta terça-feira, numa reunião fechada na OMC (Organização Mundial do Comércio) em Genebra (Suíça), o representante indiano foi explícito em constatar que o “pior dos pesadelos” se confirmou diante da incapacidade de se encontrar um acordo: não há vacinas para todos. A reportagem ainda diz que, diante das críticas dos Indianos, o representante do governo brasileiro se calou.

O Brasil já foi destaque internacional na luta pela quebra de patentes em remédios. O país foi um dos primeiros a formalizar e permitir a comercialização dos remédios genéricos e ainda foi um importante porta-voz desse debate na OMC e na busca pela quebra de patentes nos remédios para tratamento da Aids.

Em 1999, o governo brasileiro, então liberal e controlado pelo PSDB de Fernando Henrique Cardoso e do então ministro da Saúde, José Serra, iniciou o ousado projeto de construir fábricas públicas de remédios. A intenção era forçar uma redução do preço dos remédios na indústria. Uma proposta extremamente intervencionista, mas que foi aplaudida até por liberais como forma corrigir falhas do mercado e sua mão invisível.

De premiado internacionalmente por suas iniciativas na defesa do remédio genérico e da promoção do acesso de todos à saúde, o Brasil hoje passou à pária.

Em 2020, países em desenvolvimento acusaram o Brasil de dificultar e atrasar a aprovação de uma proposta da Índia para obrigar a quebra de patente dos tratamentos contra Covid-19. Na época, os países ricos e o Brasil defenderam que os investimentos em pesquisas para as vacinas vinha de empresas privadas e a quebra da patente diminuiria esses investimentos.

Contudo, a realidade mostra que a maior parte dos recursos utilizados para pesquisa de remédios vem do próprio poder público. De acordo com a empresa de análise de dados científicos Airfinity, os governos de diversos países doaram para pesquisas, o total de 8,6 bilhões de dólares, enquanto as empresas privadas investiram aproximadamente 3,4 bilhões de dólares.

Tanto o Butantan quanto a Fiocruz tem condições de produzir no Brasil, mas nesse primeiro momento precisarão importar insumos. Porém, enquanto não for resolvida a questão com os fornecedores da Índia e China, a produção de mais doses de vacinas no Brasil seguirá incerta.

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