Análise

Diálogo e compromisso marcam o primeiro mês do governo municipal

Política não se faz com amizades. Política se faz quando os políticos honram a palavra dada.

O governo da prefeita Marília Campos passou este primeiro mês se esforçando para honrar os compromissos firmados com os mais diferentes grupos da cidade. Compromissos feitos antes e depois da eleição. E o sucesso no cumprimento desses compromissos explica o sucesso que o governo teve até agora.

Desde o primeiro discurso, no meio do povo, logo após confirmação da vitória nas urnas, a prefeita Marília Campos disse que queria fazer um governo de diálogos; um governo capaz de reunir a cidade dividida após uma eleição extremamente tumultuada.

Assim, a administração municipal tem buscado criar diálogos. Principalmente com aqueles que não estiveram ao lado da prefeita durante a eleição.

A primeira grande ação do governo Marília recebeu o nome de “Pacto”, o “Pacto pela Vida”; é um acordo firmado com grupos diferentes e divergentes em torno de um objetivo comum: manter a cidade funcionando e ao mesmo tempo evitar a disseminação do Covid-19.

Apesar de todas as críticas e suspeitas que a estratégia possa levantar, o fato é que tem dado certo. A pandemia não saiu do controle e os efeitos sobre a economia e a vida das pessoas foram reduzidos.

A estratégia para o sucesso tem sido o diálogo. Mas esse diálogo seria vazio se a administração municipal não tivesse se esforçado para demonstrar seriedade e disposição para dividir méritos.

Um exemplo disso foi visto hoje, na apresentação dos projetos com redução de tributos e parcelamento de dívidas. Além de cumprir os acordos feitos, a prefeitura mostrou disposição de dividir os holofotes e os méritos do sucesso, o que em política é sempre bom. Demonstra uma certa generosidade inteligente.

Todos na cidade sabiam que a diminuição do IPTU e as mudanças na taxa de publicidade eram as pautas mais relevantes na cidade.

Em parte, o fracasso eleitoral e político do governo de Alex de Freitas ocorreu por causa de sua estratégia em relação ao IPTU e aos tributos sobre publicidade. Portanto, a atual administração sabia que teria que abordar o tema rapidamente para evitar suspeitas sobre os objetivos do governo Marília.

Por isso, o governo agiu rápido. Mas não agiu de qualquer jeito; fez com requintes de simbolismos. A começar pelo local escolhido para anúncio das medidas. A apresentação poderia ter sido feita na própria prefeitura, em um auditório com uma bela apresentação em power point. Sim, poderia. Mas não foi.

O governo escolheu apresentar os projetos na Câmara dos Vereadores, que são os verdadeiros representantes políticos do povo da cidade.

A prefeita Marília Campos poderia ter enviado o projeto seguindo os protocolos formais, mas ela fez questão de ir até à Câmara; subiu na tribuna e falou direto aos vereadores.

Outro simbolismo é a escolha do público para quem foi feito o anúncio. Além dos vereadores, um grupo de lideranças empresariais da cidade foi convidado para acompanhar a entrega dos projetos. Logo após a entrega dos projetos, a prefeita realizou uma reunião com os empresários para explicar as propostas e intenções do governo.

E ela não recebeu eles em qualquer lugar, recebeu eles no gabinete da presidência da Câmara, tendo de um lado o vice-prefeito, Ricardo Faria, e do outro o presidente da Câmara, vereador Alex Chiodi.

Tudo ato de simbolismo. Mostra compromisso mútuo. Mostra reciprocidade. Coletividade. Compromisso.

Contudo, é óbvio que sempre é possível e fácil de criticar. Difícil é fazer melhor.

No caso em questão, por exemplo, podemos apontar que entre o grupo de convidados para o anúncio seleto, não foi identificado nenhum representante de movimento social ou dos trabalhadores do comércio, serviço ou indústria; que são inegavelmente peças fundamentais para o sucesso de qualquer diálogo.

Mas também é óbvio que a prefeita e sua equipe sabem disso. Não é possível dialogar com todos ao mesmo tempo e a escolha inicial foi o diálogo com os grupos sociais que demonstravam maior resistência à prefeita e seus projetos.

O governo debateu estratégias com a FIEMG, com a CDL, com a associação de donos de academia, sindicato de escolas particulares, donos de bares, empreendedores de buffet, representantes de shopping, mas, corrijam-me se estiver errado, pouco se viu de trabalhadores desses setores.

Não é errado. É necessário sim uma mobilização prioritária dos empresários e empreendedores. Se com eles é difícil efetivar qualquer tipo de pacto, sem eles seria impossível. Além disso é preciso lembrar que todos terão sua vez de falar e ouvir. Contudo, é simbólico; mas para todo simbolismo é necessária certa dose parcimônia para evitar mal entendidos .

De toda forma, o governo trabalha para chegar aos 100 dias com muitas conquistas. No próximo mês tem outra pedra esperando para ser tratada, o retorno das aulas e a sobrevivência do setor educacional estarão pautados. No diálogo, existem razões justas tanto do lado daqueles que defendem manter as restrições no setor, quanto do lado daqueles que querem o retorno das aulas presenciais.

A escola pode ser um enorme vetor de contaminação do Covid-19, mas a ausência das aulas presenciais traz danos reais ao aprendizado e à saúde de crianças; sobretudo às menores, que ainda estão em fase de alfabetização e iniciando suas experiências de socialização.

A educação será uma próxima pedra no caminho do governo municipal. Mas é necessário reconhecer que o governo tem demonstrado habilidade em lidar com situações difíceis. Que continue assim.

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