O novo auxílio emergencial deve ficar em R$250,00 por quatro meses, num desembolso de 30 bilhões, segundo apuração do Jornal Estadão. Esse valor não é suficiente para comprar nem a metade de uma cesta básica em Belo Horizonte, que hoje está em R$576,32, segundo o IPEAD-UFMG.

Os valores foram discutidos numa reunião realizada hoje entre o presidente do Senado, o mineiro Rodrigo Pacheco(DEM), o presidente da Câmara, Arthur Lira(PP-AL) e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo o presidente do Senado, devem ser quatro parcelas, com início de pagamento em março.

“Nossa expectativa é que haja um auxílio que seja suficiente para alcançar o maior número de pessoas, mas com a responsabilidade fiscal. Nossa expectativa é que possamos até o mês de junho ter um auxílio. Para isso, é fundamental que o Congresso faça sua parte”, defendeu Pacheco.

PREÇO DA CESTA BÁSICA

cesta básica em Belo Horizonte ficou 1,68% mais cara em janeiro deste ano, em comparação com o último mês de dezembro. Esse é o sexto mês de alta em BH da cesta básica.

Em janeiro, o produto estava sendo comercializado por R$ 576,32. Os principais responsáveis por essa elevação foram o Tomate Santa Cruz (20,21%), a carne Chã de dentro (1,33%) e a Manteiga (7,93%). No mês anterior, o valor da cesta na capital ficou em R$ 520,79.

Esse valor é o suficiente para comprar apenas as quantidades básicas de consumo de uma família com no máximo 4 pessoas. São consideradas as variações de 13 produtos: arroz, feijão carioca, farinha, açúcar, café, leite, banana, tomate, pão, manteiga, óleo de soja, batata e carne (chã de dentro). Apenas o básico.

Fatores como a pandemia do novo coronavírus, a pressão dos alimentos e a sensação de baixo poder de compra podem ser culpados por essa situação. 

A cesta básica apresentou uma variação acumulada de 25,54% nos últimos 12 meses, aproximadamente sete vezes maior que a inflação.

Já a inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 4,70%. Para o ano de 2021, a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de a 3,75%, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

NA DEPENDÊNCIA DE AJUSTES FISCAIS

O presidente da Câmara, Arthur Lira, cobrou publicamente que o governo encaminhe o projeto para o legislativo avaliar. O ministro da Economia, por sua vez, disse que deve vincular o auxílio a uma “cláusula de calamidade pública”, que ainda deve ser criada pelos deputados e permitir ajustes orçamentários..

“Nosso compromisso é com a saúde, a vacinação em massa e o auxílio emergencial, com o compromisso com a responsabilidade fiscal”, disse Guedes.

O auxílio emergencial foi uma das ações fundamentais para evitar uma queda ainda mais acentuada da economia no ano de 2020 e serviu para auxiliar as famílias que diminuíram ou perderam renda por causa dos fechamentos de atividades econômicas.

A oposição ao governo na Câmara se manifestou exigindo que o governo mantenha o valor de R$600,00, pago como auxílio emergencial em 2020.

Um ato realizado no Congresso na última quarta-feira, dia 10, reuniu parlamentares e centrais sindicais em defesa do auxílio emergencial como forma de manter a retomada econômica e a renda das famílias.

O deputado Afonso Florence (PT-BA), por exemplo, sugeriu um conjunto de medidas no combate à pandemia e a continuidade do auxílio emergencial. “É preciso garantir recursos para a estruturação do SUS (Sistema Único de Saúde) e para garantir um auxílio emergencial de R$ 600 durante todo o período em que ocorrer a pandemia”, afirmou. Ele sugeriu, ainda, subsídios para a agricultura familiar para reduzir o preço da cesta básica.  O deputado Felipe Carreiras (PSD-PE) também apoiou a extensão do auxílio e afirmou que essa medida “é para ontem”, pois a pandemia não acabou.