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Aulas remotas, PSS, aulas presenciais nas redes pública e privada, isso e muito mais na entrevista exclusiva da Secretária de Educação, Telma Ribeiro

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Na próxima semana, no dia 3, a rede municipal de Contagem e a Funec recomeçam as aulas. A Secretária Municipal de Educação, Telma Fernanda Ribeiro, recebeu o Coluna1 para uma entrevista especial para tirar dúvidas sobre esse retorno.

Mestre em educação, Telma Fernanda Ribeiro assumiu o cargo cheio de compromissos a cumprir e dúvidas para responder. Contagem vai ter aula presencial? A rede privada poderá voltar antes da rede pública? E os concursos? E o PSS? E o pagamento do auxílio alimentação? E o piso dos professores? São muitas as questões a serem respondidas e ela tratou de todas com bastante clareza para o Coluna1. Veja os principais pontos:

As aulas voltam agora? Elas serão presenciais ou não?

A grande questão hoje é: as aulas vão começar quando e como? Isso é uma questão muito importante. Nós vamos começar nos dias 1 e 2 de março, com dois dias escolares, com reuniões dos professores e da comunidade escolar.E no dia 3 de março nós iniciamos com o ensino remoto.

Esse ensino remoto tem diferentes formas. As escolas têm formas diferentes de fazer esse contato com o estudante. Cada unidade terá sua forma diferente de entrar em contato com os alunos ou com os pais. Cada uma encontrou a sua forma, a forma mais adequada de trabalhar naquela realidade da escola.

Nesta primeira semana, os pais ou alunos terão que ir até as escolas buscar algum tipo de informação?

Não. Toda a interação é remota.

Em geral, quem busca o contato com estudantes, pais ou responsáveis é a escola. As famílias não precisam ir à escola, só se precisarem de mais informações. A escola é que fará esse contato.

Mas se os pais ou estudantes sentirem necessidade de buscar as escolas para alguma questão, eles podem procurar as escolas. Elas poderão recebe-los.

Haverá uma forma padrão para esse ensino remoto em Contagem? Como isso vai acontecer?

Não há forma padrão. Cada escola escolheu o método mais adequado para sua realidade.

No diagnóstico que nós realizamos sobre o trabalho no ano de 2020, nós identificamos várias formas de contato. As principais foram o whatsapp e o facebook.

A prefeitura de Contagem tem uma parceria com a Microsoft, que disponibiliza alguns recursos. Mas cada escola terá a liberdade de definir esse meio de contato.

Para essa interação nós não temos um canal ou uma rede específica. Mas, de modo geral, a plataforma mais utilizada pelas escolas é o google.

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Haverá algum material específico para esse ensino remoto? Uma apostila ou algo parecido?

Nós não contratamos esse tipo de trabalho, porque esse formato de trabalho tem algumas críticas. Inclusive pela não participação do professor na elaboração. A Secretaria municipal de educação de Contagem não tem essa estratégia. Nossa principal estratégia é respeitar a autonomia do professor.

O que foi feito em 2020 e que pode ser mantido em 2021 é a impressão o material elaborado pelos professores para aqueles estudantes que não tem acesso aos meios digitais.

Para nós, o importante é garantir ao estudante o acesso ao material, seja ele digital ou físico.

Nesse momento, é possível prever o retorno de atividades presenciais na rede municipal, mesmo que seja em um modelo híbrido?

Nós não pensamos somente na rede municipal. Nós trabalhamos com a ideia de sistema.

Nós temos na cidade as redes municipal e estadual, as conveniadas e a rede particular, e pensamos neste contexto.

A volta presencial às aulas é um grande desafio e está no nosso horizonte, mas o mais importante é pensar como serão essas atividades.

Quando possível, a ideia inicial é a volta em modelo híbrido; num primeiro momento, até que nós possamos voltar integralmente no presencial.

O que nos orienta nesse momento é a segurança de todos. A volta segura às escolas depende das condições da pandemia; depende dos indicadores da pandemia e da nossa preparação para este enfrentamento.

O Comitê, que gerencia as ações da pandemia, monitora esses índices. Uma volta das escolas, com 30%, 50%, tem que ser pactuada, dentro das regras estabelecidas no Comitê e pactuada com a Secretaria de Saúde; hoje nós não temos indicadores que nos encaminhem para isso.

Mas nós temos acompanhado a situação e construído os protocolos para o retorno.

Quais protocolos?

É o protocolo quase universal. Nós temos o distanciamento, o uso de máscara e a sanitização dos ambientes, que são regras fundamentais, sem as quais não se pensa um retorno.

Uma outra questão que nós temos que pensar, além do quando e como, é quem vai voltar.

Há uma grande discussão sobre as séries, as idades que devem voltar; se volta as séries iniciais, se voltam as séries de terminalidade…

Sobre esta questão, existe inclusive uma particularidade. Belo Horizonte disse que, possivelmente, dará preferência aos alunos menores. Em Contagem existe a particularidade da Funec. Já existe previsão de como o assunto será tratado na rede do município?

Em Belo Horizonte não existe o ensino médio na rede municipal, então para eles realmente o ensino médio, na rede municipal de BH, não tem relevância.

Mas pra nós aqui também é uma discussão que ainda está sendo feita, faz parte do “quem volta”.

É possível que se pense primeiramente na volta dos anos de terminalidade, os anos de transição de ciclo, o terceiro ano da educação infantil, o nono ano do ensino fundamental.

A gente tem que fazer um cálculo considerando o protocolo de distanciamento, que pode variar de acordo com o padrão de construção de cada escola. Mas que precisam aguardar o avanço dos indicadores.

Hoje, a rede municipal tem os recursos e condições de cumprir esses protocolos de segurança?

A prefeitura tem. As escolas já receberam estes recursos. Essa materialidade, para a rede municipal não é um problema. Esse material básico, alcool e máscaras, as escolas têm. Muitas escolas já compraram tapetes, totens com álcool. Já temos. Mas existem outros fatores que temos que considerar.

As escolas particulares pressionam pelo retorno. Existe previsão de que a rede privada volte antes da rede municipal?

Eu participei das reuniões do “Pacto Pela Vida”, que nossa prefeita tem encaminhado na cidade como processo de diálogo e escuta para tomada de decisões.

Eu participei da reunião com os dirigentes e proprietários de escola. Eles querem voltar e dizem que tem condições de voltar. Mas não é o que a gente defende.

O que se espera é que todas as redes, municipal e privada, voltem juntas e que só voltem com segurança.

Esse retorno junto serve, inclusive, para que a gente diminua as desigualdades que existem entre os alunos de cada rede. Mas ainda é necessário esperar desdobramentos em relação a esta questão.

O SindUte divulgou, recentemente, uma extensa pauta de reivindicações e um dos principais pontos é o retorno às aulas apenas com a “vacina para todos”. As aulas presenciais em Contagem voltam só quando houver “vacina para todos” ou podem ser utilizados outros indicadores?

Pode haver outros indicadores. A gente acompanha algumas notícias e avaliações que indicam que podem demorar até 4 anos para vacinar toda a população. Nós ficaremos 4 anos sem escola? Essa é uma pergunta necessária. Ou aprenderemos a conviver com segurança com o virus?

A chegada de novas vacinas pode alterar esse ritmo de imunização e manter a doença sob controle. Nesse sentido, os protocolos são essenciais.

Se nós temos protocolos, se nós conseguimos controlar o índice de contaminação, então você vai criando condições de segurança para uma volta segura. Uma volta que seja pensada e adequada às condições das diferentes redes. Essa é que é a questão. Tendo um controle e a perspectiva de uma volta segura, nós poderíamos pensar neste retorno, independente de uma vacinação de todos.

Mas o que nós sabemos hoje, é que o que garante a segurança é a vacinação. Por isso o que nós pleiteamos hoje é a vacina; não uma data para abrir escolas.

Nós desejamos a vacina, mas com o avanço da imunização, talvez, nós possamos pensar nessa volta híbrida, até a conclusão da vacinação.

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Outro ponto muito questionado pelos trabalhadores da rede municipal é relativo à remuneração. Especialmente, no caso de Contagem, em relação ao pagamento do Auxílio Alimentação para todos os trabalhadores da rede. Como está esta questão hoje?

O Vale Refeição foi cortado no início da pandemia. Nós assumimos em janeiro e ainda não temos como apontar quando ou como esse vale vai ser pago. Está na pauta. Será aberta uma mesa ampla de negociação em que esses pontos serão colocados. Nossa proposta – de governo – é negociar, ouvir e atender as demandas dos trabalhadores em educação, dentro dos limites da legalidade e da lei de responsabilidade fiscal.

Outra questão que tem rendido debates entre os profissionais do setor em Contagem é o PSS. Como está a questão do PSS hoje e como a prefeitura irá tratar o tema?

Em relação a esta questão é preciso pontuar que nós temos dois PSS.

Existe o PSS de 2020, que está dentro do prazo de validade, e nós chamamos agora 300 profissionais desse processo, entre pedagogos e professores PEB1.

Nós terminamos ontem de fazer esta contratação de 300 trabalhadores. E nós temos também os professores que tem Flex e nós temos os professores contratados que tem prorrogação de jornada.

O PSS 2021 é um processo totalmente digital. Seguro. Foram mais de 12 mil classificados. Houve o período para recursos; nós respondemos aos recursos, mas houve reclamações à ouvidoria.

Então o processo que nós estávamos mantendo, pós divulgação de resultados, nós suspendemos.

Publicamos uma postaria criando uma comissão para acompanhar essas respostas técnicas à Ouvidoria e nesse sentido nós suspendemos o PSS 01/2021 até que as respostas técnicas sejam dadas pela Ouvidoria.

Hoje há alguma indicação de que esse PSS 01/2021 possa ser anulado?

Não. No nosso entendimento estamos cumprindo o edital e corrigindo possíveis erros, com transparência, com diálogo; aceitamos as críticas eu não vejo essa possibilidade. Essa possibilidade poderia nos prejudicar no retorno dos trabalhos.

Esse atraso já prejudica os trabalhos?

Não inviabiliza, mas prejudica. Se houver a ausência de professores, prejudica. Mas nós poderemos encaminhar soluções para recompor o processo de aprendizagem dos estudantes. É possível que nesse processo, até que cheguem todos os professores nas escolas, a gente construa uma alternativa pedagógica, construída com as escolas e respeitando as realidades da escola.

Existe alguma uma preocupação pedagógica com os impactos da pandemia no aprendizado dos alunos? A prefeitura já está pensando sobre isso ou esta é uma questão que será pensada mais para frente?

Na verdade, a nossa grande preocupação nesses 50 dias iniciais foi pensar essas propostas de como que nós vamos construir esse ano letivo.

Nós realizamos um diagnóstico para reorganização das escolas; nós realizamos um diagnóstico sobre os usos das tecnologias; nós preparamos um site com cursos de formação para os professores; nós preparamos durante o mês de fevereiro, com as reuniões pedagógicas, as reuniões de planejamento, elas iniciaram de 8 de fevereiro e se encerram amanhã, então existe todo um roteiro que foi organizado pelas superintendências de educação infantil, ensino fundamental, pela superintendência de programas e projetos especiais, com as diretorias de formação e de inclusão.

Esse grupo organizou todo esse processo de volta e encaminhou às escolas orientações para organização de reuniões, de planejamento, para repensar os currículos. Isso para nós , é uma diretriz que estamos tentando construir com as escolas, respeitando cada experiência e dando as diretrizes para construção de alternativas pedagógicas.

Toda nosso processo é pedagógico. Nós estamos discutindo as propostas pedagógicas. Existe um instrução do Conselho Nacional de Educação para que 2021 não se descole de 2020. Assim é fundamental que a gente discuta nos currículos, as atividades que foram desenvolvidas em 2020 para que a gente construa o 2021.

As escolas já estão trabalhando nesse sentido, discutimos por segmento e regionais, temos um debate dentro das escolas e é um debate sempre pedagógico.

Para finalizar, qual é a situação do concurso para cargos efetivos. Está mantido? será realizado?

Está mantido. Ele foi suspenso em razão da pandemia, que hoje nós temos condições sanitárias seguras para realiza-lo, mas está pronto. São quase 20 mil candidatos e assim que tivermos as condições para realizar será feito. É o nosso objetivo.

As questões dos trabalhadores, eu não digo que fica sanada, mas a gente resolve uma grande questão que é ter o professores efetivos. Nós precisamos dar um passo; um passo de termos todos os professores efetivos. Termos apenas algumas possibilidades de flexibilização para licenças, mas com o concurso e os professores efetivos a gente resolve a questão de falta de professores, o estresse da contratação, o estresse da insegurança do desemprego, a gente resolve com o concurso público.

Nosso objetivo é realizar o concurso assim que tivermos as condições necessárias. Seguras.

Quando a gente fala de proposta pedagógica com seriedade e compromisso, ela está vinculada a você ter um conjunto de trabalhadores, de professoras e professores, envolvidos com aquela comunidade escolar e com aquele projeto político pedagógico. Não que os contratados não se envolvam, eles se envolvem. Mas se a cada ano você tem uma troca de 30%, de 40% dos trabalhadores, isso gera dificuldades.

O professor quando assume uma unidade escolar, ele se envolve com ela. Ter que trocar a cada ano ou a cada período de contratação gera uma dificuldade muito grande, tanto para o trabalhador, para trabalhadora, quanto para o dirigente escolar e, obviamente, para o estudante. Porque quando ele estabelece um vínculo com o professor e o professor vai embora, você cria um problema às vezes até emocional, para os trabalhadores e para os estudantes.

6 respostas »

  1. Sra secretaria, equipe com profissionais competentes capazes de desenvolver um pss é um requisito importante para se assumir um cargo de secretaria de educação e outras cisitas mais, me poupe

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  2. Que entrevista espetacular. Sinto que a rede se sente acolhida pela fala da secretária. O exemplo vem de cima e esse olhar, como certeza, traz confiança ao trabalho e ajuda a superar esse momento tão difícil

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  3. Bom dia ! No dia 31-07-2020 nessa data de concurso para ser inscrito depois dessa data era para ter realizado a prova , eu tenho ininscritos de ser informado vai manter as matérias que esta no edital ou ira lançar outras .

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