Esta semana mostrou que a operação Lava Jato, liderada pelo Juiz Sérgio Moro, provocou um dano estrutural na nação. Um dano perigoso e de consequências perversas. Hoje, nenhum dos grupos políticos influentes do país acredita e confia nas decisões do poder judiciário. E isso é grave.

Quando dois grupos brigam por alguma razão e ambos acham que estão corretos, busca-se a justiça para que uma terceira pessoa, independente e justa, diga quem está correto de acordo com a lei e as regras do jogo. É essa independência e justiça que evita conflitos, mantém a paz e impede guerras.

Mas, quando o juiz adere de forma antecipada a um dos grupos ele deixa de ser justo. Ele tem interesses e já não pode mais decidir de forma independente.

Imagine um jogo de futebol. O juiz é brasileiro e gosta de futebol, obviamente ele torce para um time. Mas quando ele entra em campo para apitar o jogo, todos os jogadores têm que acreditar que ele vai marcar faltas ou expulsar alguém só quando realmente acontecer uma falta. Um juiz não pode marcar pênalti só porque o jogador caiu na área. Só é pênalti se o jogador sofreu falta dentro da área.

O problema é que o poder judiciário começou a expor para quem ele torce a apitar o jogo como torcedor, não como um juiz.

Os jogadores de um dos times sabiam que era só cair na área que o juiz marcava pênalti. Aí o outro time apelou, falou que não confia mais.

Isso em si já era um problema, mas agora ficou pior ainda. Os dois times perceberam que o juiz não é sério. Agora, todos os jogadores pararam de obedecer ao apito do juiz. O juiz apita, ninguém concorda, todo mundo ignora e o jogo continua em meio a xingamentos e palavrões.

Nesta semana o STF protagonizou uma sequência de articulações infantis que parecem briga de criança em jardim da infância; mobilizou novamente as torcidas políticas e deixou claro: no Brasil de hoje nem esquerda, nem direita confiam na justiça.

O STF julga de acordo com o réu e de acordo com o juiz. A lei, que deveria ser padrão, é ignorada solenemente.

Lula foi solto por razões justas e corretas. Mas foi solto para proteger o próprio judiciário. O juiz Sérgio Moro fez uma série de irregularidades com a única proposta de prender o ex-presidente. Ficou impossível negar isso. Para proteger Moro e a Lava Jato, Edson Fachin preferiu anular o processo.

No passado, Moro já tinha mobilizado seu esquadrão de Jack Bauers, o agente fora da lei da série de TV 24horas, para tentar encontrar alguma coisa capaz de incriminar Gilmar Mendes. 

Gilmar Mendes resolveu agora dar o troco. Falou que não vai ficar por isso mesmo, que Moro será julgado.

A decisão sofreu na hora uma enxurrada de críticas. Defensores de Bolsonaro, revoltados com a soltura de Lula, pedindo até intervenção militar (de novo, deve ser fetiche). Pedem cabeça de Fachin numa bandeja, ministro que até pouco tempo era indicado como o único de confiança dos bolsonaristas. Esqueceram até que foi ele que manteve Lula fora das eleições de 2018.

Defensores de Lula, empolgados com a possibilidade do país voltar pro rumo certo, querendo sangue de Moro e até elogiando Gilmar Mendes, que até pouco tempo era demonizado na esquerda.

Uma baderna. O país sem referências e a justiça na lama.

É preciso recuperar a justiça. Não é de hoje que o judiciário é uma caixa preta de segredos. Também é necessário reconhecer que este poder nunca foi pleno de virtudes. Mas agora chegou no fundo do poço, ou quase.

O judiciário virou uma casta de funcionários bem remunerados que fazem de tudo pra defender a corporação. E o Ministério Público segue junto. Não há justiça nisso.

A Reforma mais necessária é a da justiça. O tempo gasto para julgar coisas simples cria descrédito e desconfiança, incentiva a justiça com as próprias mãos. Desvaloriza as instituições e o Estado de direito.

Os juízes têm que julgar só com a lei. É urgente romper com a interpretação da lei; é urgente repor a necessidade de provas para condenação e uma justiça objetiva.

Obviamente, não nos enganamos, sabemos que sempre existirá certo grau de subjetividade na justiça. Mas não pode ser a regra ou a maioria.

Quem quer que assuma o controle da situação após o atual vãos instalado terá que enfrentar a corporação do judiciário e recolocar a justiça no lugar que