Brasil

Não podemos fingir que existe escolha. Restringir o funcionamento da cidade é a única alternativa no momento

É preciso falar claramente, se alguém ficar doente agora e precisar de um leito em hospital, não terá. Não há vagas. Acabou. Está tudo cheio. Belo Horizonte, Contagem e Betim esgotaram seus leitos para Covid. A rede particular já pediu socorro, a rede pública não tem como socorrer.

Fechar a cidade é a única opção. Caso contrário pessoas começarão a morrer nas portas de hospitais enquanto esperam por atendimento.

Nesta semana um grupo liderado pelo deputado Leo Motta pediu reabertura de comércio na cidade. Não dá, Infelizmente, não dá.

A prefeita Marília, contra a opinião comum entre sua base, optou por manter a cidade aberta com o Pacto Pela Vida. Ela fez de tudo para não prejudicar o comércio da cidade, é preciso reconhecer isso. Mas agora não dá mais. Tem que fechar a cidade.

Em entrevista ao Coluna1, o deputado disse que era necessário um plano de contingência na saúde e protocolos seguros para reabrir o comércio. Mas não é simples assim. Não existe plano de contingência possível hoje.

Não temos que incentivar o debate entre abre ou fecha a cidade. Temos que forçar o pagamento de auxílio emergencial, adiamento de impostos, suspensão de dívidas, garantia de emprego e financiamento para as empresas se sustentarem durante a pandemia. É isso que vai salvar a economia.

Na área da saúde, foram tomadas medidas para evitar o colapso. Mas não bastaram. Mesmo com a resistência do governo Bolsonaro, que insistiu em tratar a pandemia como uma gripe qualquer durante muitos meses, o Brasil bateu recorde na abertura de vagas em UTI. De acordo com levantamento da rede de TV CNN, Estados e Municípios criaram 21 mil novas vagas em UTIs em 2020. Um recorde.

Em Contagem, só na última semana, a prefeitura abriu mais 31 vagas em UTI para o tratamento da Covid, mas não é o suficiente.

Não é hora de fazer campanha política ou discurso para agradar eleitores. É hora de unir forças e assumir, antes de pensar em eleição e economia, é preciso manter a população viva, afinal, não custa lembrar, são os eleitores que votam e fazem a economia funcionar.

A única iniciativa política necessária neste momento, é a pressão para que o governo federal e o ministro Paulo Guedes agilizem a liberação do auxílio emergencial.

Agora, a melhor forma de salvar a vida da população, em especial dos mais pobres, é fechar as cidade e pagar o auxílio. O governo está demorando, o último mês de auxílio foi dezembro, de lá para cá o governo apenas especula valores e formas de pagar. A lei á foi aprovada no congresso, então é preciso pressionar o governo para pagar rápido, essa é a única pressão que importa agora.

Os números do Brasil hoje são incomparáveis com os de qualquer outro grande país.

Os Estados Unidos, que foram o local que liderou o número de mortes durante a pandemia, tem hoje uma média de 1394 mortes por dia. Enquanto isso o Brasil acumula a infeliz marca de 1841 vidas perdidas, na média nos últimos sete dias. E isso não conta os recordes batidos nos últimos dois dias que nos aproximam de quase 3 mil mortos diariamente.

Para se ter uma ideia, em um dia no Brasil, está morrendo quase a mesma quantidade de gente que morreu neste um ano de pandemia no Paraguai, que foram 3517; e é mais que o triplo do que morreu em um ano no Uruguai, 717.

Aliás, falando em Uruguai, se a gente considerar só Contagem já temos um número de mortos superior ao do nosso vizinho sulamericano. Em Contagem foram 797 mortes e no Uruguai foram 717.

Você pode dizer que o Brasil é muito grande comparado com Uruguai e Paraguai. Mas mesmo quando comparamos com outros grandes países a situação no Brasil é vergonhosa. Na Austrália foram apenas 909 mortes por Covid em um ano de pandemia! No Brasil são 3 mil por dia!

No Canadá foram 22 mil mortos; no Chile 21 mil; na Índia, que tem 1,3 bilhão de habitantes, pelo menos quatro vezes mais habitante que o Brasil, foram 159 mil casos; quase a metade do que nós tivemos até agora.

A única coisa que esses países fizeram de diferente do Brasil, foi um lockdown real.

Esses países fecharam e permaneceram assim até a estabilização da pandemia. O Brasil não. O Brasil rodou feito barata tonta, cada prefeito fazendo aquilo que deu na cabeça. Não houve liderança ou ação planejada no país, por isso, deu no que deu.

Vejam, a intenção aqui não é colocar a culpa em quem quer que seja. A intenção é alertar para o óbvio: a situação no Brasil está fora de controle. Não há como negar. E temos que lembrar que não há mais vagas em hospitais!

O que queremos fazer é um apelo. Hoje existe luz no fim do túnel! A Fiocruz produzirá um milhão de doses da vacina por dia até o final do mês! O Butantan também disse que tem essa meta até abril! Teremos, enfim, doses suficientes para uma vacinação em massa! Por isso fique em casa e aguarde sua vez de vacinar. Se está difícil sobreviver sem ganhar o dinheiro que ganhava antes, vamos pressionar os governos para as ações corretas. Pressionar para adiar impostos; pressionar para pagar o auxílio emergencial; pressionar para garantir empregos e financiar empresas… Mas não temos como pressionar para colocar o povo na rua. Temos que pressionar com os objetivos corretos.

Um professor da universidade Johns Hopikins, Marty Makary, disse em artigo que a pandemia nos Estados Unidos deve deve perder força em abril e situação semelhante deve ser seguido em outros locais, como o Brasil. A justificativa, segundo ele, é baseada em estudos matemáticos e considera a imunidade coletiva resultado da quantidade de já infectados. A universidade acertou algumas previsões críticas para o Brasil e previu, em julho do ano passado, que o país poderia alcançar o número de 4 mil mortes diárias. Se eles acertaram nas previsões mais catastróficas, vamos torcer para acertarem também nas previsões mais otimistas.

Se essas previsões estiverem certas, o que precisamos agora é de um fôlego extra para o final da maratona! Precisamos de força! A pandemia não vai acabar, mas o caminho para uma melhoria da situação está dado.

Precisamos dessa positividade e otimismo, mas também precisamos ter clareza que não se trata de preferências, no momento fechar as cidade é a única opção. Não adianta xingar o mundo. Há momentos em que é necessário reconhecer a realidade, se adequar e sobreviver. Este é um desses momentos. Precisamos sobreviver. Como dissemos lá no início do texto, se você ficar doente hoje e precisar de um hospital, não vai ter vaga para receber você.

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