A lagoa Várzea das Flores tem um valor inegável, é dela que se retira parte da água que abastece Contagem e região metropolitana. Mas vai além.

Várzea das Flores tem uma posição estratégica entre Betim e Contagem, em suas proximidades existem potenciais áreas de extração mineral e, sem dúvidas, é um dos locais da região metropolitana com maior potencial para exploração habitacional.

A lagoa pode trazer ganhos econômicos para o município. Mas, se a cidade optar pela exploração econômica da área, pode faltar água para abastecer as pessoas que vivem em Contagem.

Escolher entre preservar o Meio ambiente ou ganhar Recursos econômicos com a exploração da lagoa? A resposta parece óbvia: escolha o Meio Ambiente. Se faltar água, a vida das pessoas estará em risco e tudo que a cidade conseguir explorando a lagoa terá que gastar para trazer água potável de locais cada vez mais distantes. Preserve a água.

Mas toda essa obviedade, nem sempre é fácil de colocar em prática. A prefeitura de Contagem e o governo do Estado mudaram de posição várias vezes em relação a possibilidade de exploração econômica da área.

Várzea das Flores foi transformada em APA – Área de Preservação Permanente em 2006. De lá para cá tem tido idas e vindas na tolerância com novos empreendimentos na região da lagoa.

Em 2017 a Câmara dos Vereadores de Contagem alterou as regras de zoneamento das áreas rurais da cidade e permitiu a divisão de áreas e uma maior urbanização de Várzea das Flores.

O governo de Alex de Freitas passou boa parte do seu tempo tentando permitir a exploração da área, mesmo com um parecer desfavorável do Ministério Público e um relatório alarmista feito pela Copasa, informando que as pretensões da prefeitura iriam diminuir em 10 anos o tempo útil da lagoa para fins de abastecimento.

Por pressão da sociedade e movimentos sociais, como o SOS Vargem das Flores, foi possível conter alguns avanços sobre a região da lagoa.

Agora, em 2021, mais uma vez Várzea das Flores entra na rota do “progresso”. O Rodoanel, que pretende fazer a ligação entre as rodovias que atravessam a região metropolitana, tem sua rota atravessando o território de Várzea das Flores, entre Betim e Contagem. Mais uma vez os movimentos sociais se mobilizaram e o assunto ainda está sendo discutido em audiências públicas.

Em momentos como estes é preciso ter firmeza, o meio ambiente tem que ser a prioridade. E não se trata de discurso ambientalista sentimental. É noção prática de sobrevivência.

De que adianta a prefeitura ganhar dinheiro com IPTU de mansões construídas à beira da lagoa ou termos mais uma estrada atravessando a cidade, se não temos água para beber?

É preciso prioridades; e sobrevivência é a prioridade máxima.

Isso tem que estar claro para os grandes projetos econômicos e também para as pequenas intervenções do dia a dia. Quem visita Várzea das Flores vê uma série de ocupações irregulares crescendo dentro da região. Bairros estabelecidos e pequenos proprietários de sítios na região se espalham de forma mais ou menos clandestina. Existem pessoas e ocupações na beira da lagoa, que chegaram primeiro e agora acham um absurdo qualquer outro que agora queira vir ocupar a região.

Parece o discurso de quem mora em Condomínio fechado em Casa Branca ou na Serra da Moeda, mas se arrepia quando falam em facilitar o loteamento da área. Todo mundo quer morar bem, num local agradável.

Em casos como este, tem que haver firmeza, tanto contra os grandes empreendimentos quanto para o pequeno comércio que joga esgoto direto na lagoa. É preciso proibir condomínios, mas também é preciso proibir favelas. A preservação de várzea das flores tem que geral e indiscutível.

A cidade, ricos e pobres, precisam ter clareza que o futuro de todos depende do futuro que vamos escolher para a lagoa hoje.

Como disse a ONU, em relatório divulgado hoje, a água tem valor. Mas é um valor que vai muito além dos recursos financeiros. Tem um valor cultural, social e ambiental. Da existência da água depende a nossa sobrevivência.