A Revista Piauí trouxe uma reportagem informando que um grupo de 50 empresários e políticos mineiros se vacinaram de forma clandestina em uma garagem da empresa Saritur. Entre eles estariam o ex-senador e ex-vice governador, Clésio Andrade, e o deputado estadual Alencar da Silveira. PARA LER A REPORTAGEM DA PIAUÍ, CLIQUE AQUI.

Além do surreal, o que chama a atenção é uma realidade da qual o povo se esquece facilmente: os ricos e poderosos só se submetem a lei quando é de interesse deles.

Existe sim um grupo de pessoas que se acham melhores que os outros. Existe um grupo que acredita que pobre só é importante como mão de obra ou como consumidor. Existe um grupo que por sorte ou herança ocupa um lugar privilegiado na pirâmide econômica e que só vê as pessoas de acordo com a sua utilidade.

Esse grupo ganha sempre na economia, porque eles mudam a regra do jogo de acordo com o interesse deles.

Eles cobrem seu egoísmo com um manto de hipocrisia e não tem a menor dificuldade ética ou moral de sacrificar o próximo para se favorecer.

São cristãos até onde interessa. Se afastam da ideia de Jesus assim que ele fala em dividir o pão.

Esse grupo de hipócritas são bandidos travestidos de políticos, porque isso não é política; política pressupõe objetivo comum, interesses comuns, sobrevivência mútua. Eles não querem isso. Eles não estão nem aí se morrem 200 ou 300 mil, eles só querem sobreviver sem esforço.

Esse grupo é comparável aos bandidos pés de chinelo que estão fazendo roubos de vacina em postos de saúde. Nos dois casos, são grupos de bandidos; são inúteis. Desprezíveis e desnecessários.

Eles passam o esforço para o outro, terceirizam o sofrimento que é a vida comum. Eles não se acham comuns e não querem aceitar o custo de viver como os comuns. Se acham melhores. Seus pais e seus avós se achavam melhores e passaram para eles a ideia de que são melhores que os outros. E eles vão passar essa ideia para seus filhos.

Fazem parte de um grupo que não assume, mas se acha casta. São políticos, juízes, empresários, membros do ministério público, meia dúzia de militares do alto escalão. Gente que ganha dinheiro a custas dos outros fazendo nada ou quase nada. Gente que não merece a consideração. Gente que não dá consideração para ninguém.

São um grupo de gente que acha que pobre é lixo, descartável. Morre um pobre, aparecem dois. Demite um pobre, aparecem dois. Nunca vai faltar um pobre para trabalhar e defender esse grupo, essa casta.

Esse bando que se acha melhor que os outros, prende os pobres e a classe média pobre com a esperança de um dia se tornarem ricos. É apenas esperança. Esperança não é nada, não serve para nada. A esperança serve apenas para manter as pessoas esperando por alguma coisa que não vai vir nunca.

Só existe um jeito de mudar essa infeliz realidade e fazer essa casta de parasitas trabalhar, Só existe um jeito de mostrar que privilégios são inaceitáveis. Só existe um jeito. O jeito é parar de esperar.

A bandeira da revolta tem que voltar para as mãos certas. A revolta tem que se aliar novamente à justiça. Caso contrário os injustos continuarão utilizando a revolta infértil dos pobres para jogar um pobre contra o outro. O único jeito é parar de esperar.