O Vereador Zé Antônio usou a palavra para criticar aqueles que utilizaram a crise no sistema funerário da cidade para fazer campanha política. Segundo ele, foram espalhadas notícias equivocadas dizendo que vítimas de Covid-19 estavam sendo colocadas “nos escombros do pronto-socorro JK”. O vereador afirmou que isso não é verdade.

Zé Antônio esclareceu que apenas o estacionamento do prédio foi utilizado para montar a estrutura necessária para manter os corpos enquanto aguardavam pelos procedimentos funerários e trâmites de cartório.

Ele destacou que a escolha do espaço foi feita por causa da proximidade com estruturas do sistema funerário da cidade e a necessidade de agilizar os procedimentos e dar melhores condições aos familiares das vítimas. “Quando é um familiar da gente, nós não queremos que ele fique no chão, abandonado”, disse. A câmara refrigerada do caminhão era a melhor forma de garantir dignidade para essas pessoas e seus familiares.

Segundo o vereador, os parentes das vítimas da Covid já haviam realizado a identificação de corpos e sabiam para onde seus entes queridos estavam sendo encaminhados. Nesta terça-feira, a estrutura colocada no estacionamento da antiga UPA JK foi desmontada e transferida para outro espaço, cedido para a prefeitura por empresários do município.

CONFIRA: Prefeitura de Contagem define novo local para dar suporte às funerárias

CLIQUE E CONFIRA

A fala de Zé Antônio foi feita logo após o vereador Abne Motta se manifestar dizendo que a prefeitura colocou os corpos de vítimas da Covid “em um caminhão nos escombros da UPA JK”. Segundo Abne Motta, “foi um desrespeito da prefeita”.

O vereador Zé Antônio, lembrou que “existe um grupo no país que torce pela desgraça do Brasil. Enfrentamos um presidente que gastou um ano para montar um comitê de combate à pandemia; que estimula a população a não utilizar máscara. Um grupo político que não defende o fechamento do comércio, um grupo que não defende o trabalhador. É este mesmo grupo que agora crítica a prefeita”, disse.

FALTA DE DIGNIDADE É DEIXAR CORPOS NO CHÃO DE UPA

Segundo Zé Antônio, falta de dignidade é deixar corpos das pessoas no chão. Por isso, ele parabenizou a prefeita Marília Campos pela iniciativa rápida de contratar a estrutura necessária para garantir o tratamento adequado aos corpos das vítimas da pandemia.

Segundo o vereador Zé Antônio, esse grupo que estimula aglomerações e chamou a Covid de “gripezinha” é o mesmo grupo que “tenta derrotar a prefeita com menos de 100 dias de governo”; é o mesmo grupo que passou os últimos anos no governo. “Nós não vamos fazer política com a desgraça das pessoas não; nós vamos fazer política com a vida, com o coração”, disse Zé Antônio.

O vereador Teteco fez também uma intervenção e questionou, “se estes corpos das vítimas não estivessem no caminhão, eles estariam onde?”, disse. Foi algo de emergência, cartórios fechados, “não poderia deixar estas pessoas no chão de UPA”, destacou.

No dia 15 de março, o vereador Abne Motta e seu pai, o deputado federal Leo Motta, organizaram uma manifestação na porta da prefeitura contra o fechamento do comércio. Logo em seguida houve o agravamento da pandemia, o governo federal trocou o ministro da saúde, mudou o discurso e as manifestações neste sentido perderam força.

PEDIDO DE UNIÃO E RECONHECIMENTO AS AÇÕES EM BUSCA DE SOLUÇÕES

O debate foi encerrado com a intervenção do vereador Arnaldo de Oliveira e do presidente da Câmara, Alex Chiodi, que pediram para que as ações da pandemia não sejam politizadas.

No pedido de Arnaldo Oliveira, “é necessário união”. Segundo o vereador, a situação na cidade e no país é dramática, com mortes e pobreza, “notável em qualquer semáforo da cidade com o aumento das crianças e pessoas pedindo”. É necessário, segundo o vereador, fazer a crítica, “mas reconhecer o trabalho do executivo que está trabalhando para solucionar o problema”.

Arnaldo pediu uma aliança para evitar o pior. Alex Chiodi concluiu dizendo que a Câmara é uma casa política, mas que todas as pessoas da cidade, no Estado e no Brasil tem que estar envolvidos na busca por caminhos. “Como condenar quem defende o lockdown? Como condenar quem defende a abertura do comércio? Quem está certo? Nós não temos essa receita, mas temos que estar unidos na busca por vencer a pandemia”, disse.

“Naquele momento de emergência, a contratação do caminhão frigorífico, que muitos às vezes condenam, mas se não tivesse contratado aquele caminhão, se os corpos estivessem mal acomodados, que tipo de críticas nós estaríamos fazendo aqui hoje? Se não tivesse contratado aquele caminhão o que teria acontecido com os corpos daquelas vítimas?”, disse o vereador.