opinião

A difícil tarefa de ser líder do governo em Contagem. Pragmatismo ou idealismo, eis a questão

Às vezes no exercício da política as pessoas se veem diante de encruzilhadas e são obrigadas a escolher entre o certo e o adequado. Quando esse tipo de coisa acontece, as decisões mais coerentes acabam parecendo bastante incoerentes, dependendo do ponto de vista. Hoje, em Contagem, a líder do governo, vereadora Moara Saboia, passou por isso.

Os vereadores decidiram que academias e igrejas são atividades essenciais e abriram caminho para um tratamento diferenciado desses dois setores em relação aos demais setores considerados “não essenciais”.

Essa decisão teve o voto favorável de todos os vereadores, menos da líder do governo. Moara votou contra. Ela sustentou seus votos contrários com um argumento razoável, científico e coerente com as defesas feitas pelo partido e pelo grupo político que a elegeu.

Contudo, ela é mais do que uma vereadora, ela é líder do governo e o governo tem mostrado, com suas falas e suas ações, que é favorável a este “tratamento diferenciado” às academias e igrejas, entre outros.

Nesta semana, durante sua live semanal, a prefeita Marília Campos anunciou com entusiasmo que estava finalizando as negociações para reabrir academias e colocou isso como uma conquista do “governo”.

Da mesma forma, a prefeita tem defendido, desde o início de seu mandato, uma relação diferenciada com os grupos cristãos e com os evangélicos em especial. É um esforço pessoal da prefeita para mostrar que o PT, ela e seu governo não são contra esse grupo e governam com todos, inclusive com os evangélicos.

Neste momento é que surge a tal da encruzilhada: ser coerente com as pessoas que elegeram a vereadora, ou ser coerente com o cargo e o governo que ela representa?

A vereadora optou coerentemente em escolher seus eleitores; escolheu as pessoas que ela representa. Desta forma, escolheu votar contra o tratamento diferenciado para academias e igrejas.

Mas há de se tomar cuidado e saber conduzir com parcimônia as situações como essas.

Moara escolheu ser a exceção entre os vereadores. Porém, ela tem a função de liderar as pautas majoritárias do governo na Câmara.

Neste caso, é preciso tomar cuidado para evitar estigmas que a levem ao isolamento. Afinal, ninguém é capaz liderar estando isolado daqueles que se quer liderar.

Um político capaz de manter seus ideais é ótimo, mas há de se precaver para que a firmeza de princípios não se torne mera teimosia ou, pior, que pareça apenas oportunismo.

É preciso lembrar que na condução da coisa pública as decisões possíveis nem sempre são as decisões fáceis. A própria prefeita Marília Campos disse, na live de segunda-feira, que o fechamento da cidade não é uma escolha, mas uma imposição da realidade. O oposto também vale, às vezes a abertura da cidade não é uma escolha, mas uma imposição da realidade.

A realidade costuma ser dura com os ideais. É certo que não devemos mudar os ideais toda vez que a realidade se impõe, É certo também que a vereadora escolheu o caminho da firmeza. Ela mostrou que seus ideais estão acima de casuísmos ou circunstâncias momentâneas e isso é ótimo, é louvável.

Esse texto é uma reflexão e não uma crítica a esta decisão da vereadora.

Esse texto é apenas para mostrar que liderar a maioria é difícil e mesmo a decisão mais coerente pode parecer incoerente. Afinal, é a líder do governo votando contra o governo.

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