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A obra do governo estadual abriu um buraco enorme na avenida Rio Firmo de Matos, no bairro Riacho, e não tem previsão de término. Os trabalhos começaram em 2015 com um aporte inicial de R$ 97 milhões do governo estadual. Posteriormente, a prefeitura de Contagem investiu mais R$4 milhões para tentar reiniciar as obras. Porém, a empresa que venceu a licitação decretou falência e a obra foi paralisada.

Em maio desse ano o governo chegou a anunciar que iria liberar os recursos necessários para conclusão das obras, que fazem parte da drenagem do Córrego Ferrugem e visam evitar enchentes no Ribeirão Arrudas.

Conforme apurado pelo Coluna1, os recursos que o governo utilizará devem vir do acordo com a Vale para indenizar o Estado pela tragédia em Brumadinho. O Estado informou que está trabalhando em um novo edital. Porém, por enquanto, de acordo com nota enviada pelo governo estadual ao Coluna1, não há previsão para reinício das atividades.

Enquanto nada acontece, a população do local tem sofrido as consequências. Estabelecimentos comerciais vizinhos às obras dizem estar tendo prejuízos. O local, que antes era uma praça frequentada por famílias, com atividades esportivas e de lazer, virou um canteiro de obras abandonado, um foco de insetos e ratos.

Uma dessas pessoas é Maciel, dono de um bar em frente à obra. “Antes da obra isso aqui ficava cheio de gente, tinha um grupo que se reunia pra fazer ginástica aí. Agora tá abandonado”, lamenta o comerciante. Ele diz que ainda resiste, mas que outra pessoa já teria fechado o bar.

Ele diz que já chamou imprensa, que já reclamou na prefeitura, no governo do Estado, mas que não tem muitas esperanças de uma solução rápida. “Eu falo na brincadeira, que vai demorar uns dez anos para ficar pronto. Mas eu acho que é real. Antes de dez anos é difícil”, disse.

Problemas no trânsito

O bar de Maciel fica na Rua Rio Congo, num trecho da rua que foi reduzido e serve como desvio para o trânsito local. O problema é que a sinalização na Avenida Francisco Firmo de Matos é falha e não impede o acesso de veículos de grande porte.

Por isso é comum que grandes caminhões e carreta cheguem até a obra e tenham que retornar de marcha ré pois o espaço para fazer a curva é pequeno.

Quando nossa reportagem estava no local, foi possível presenciar um desses momentos, em que um caminhão enfrenta dificuldades e recebe ajuda de comerciantes para realizar a curva e acessar o desvio. Veja as imagens:

Enchentes na Avenida Francisco Firmo de Matos

A obra também provocou alagamentos em comércios próximos. Segundo Robson Serra, quando cercaram o terreno da obra acabaram provocando o represamento da água que desce a avenida, construída em cima de um rio. Por isso, quando a chuva tem volume muito grande, a água volta subindo a avenida e entrando nas residências próximas.

“Isso começou depois que colocaram a madeira cercando a obra. Eu mesmo tive que ir lá e quebrar a madeira que eles tinham colocado ali. Foi o jeito de abrir espaço para a água descer”, conta.

Depois que o comerciante reclamou, a empresa que era responsável pela obra trocou a madeira por uma tela de arame em um trecho sobre a avenida. Apesar da alteração, o comerciante diz que ainda há problemas.

“Um dia desses montaram uma torre ali no meio, teve deputado, prefeito, governador. Quando anunciaram que iriam terminar, achei que iria sair. Mas nada aconteceu”, lamentou Robson.

Enquanto o dinheiro da Vale não chega…

Enquanto o governo estadual não define quando vai reiniciar as obras, os moradores buscam ações paliativas que possam melhorar a situação.

Umas das questões apresentadas é a mudança na forma como a obra está cercada. Atualmente, são utilizadas pedaços de madeira, grande parte já está apodrecendo. Os moradores reclamam que isso limita a visibilidade e muitas vezes cria insegurança.

Eles também pedem que os responsáveis pelo local verifiquem a possibilidade de mudar o trajeto da cerca e permitir, por exemplo, o trajeto original da pista de caminhada da Avenida Francisco Firmo de Matos. Pequenas mudanças que, segundo moradores, poderiam diminuir os impactos da obra no cotidiano de moradores e frequentadores do local.