A expansão do metrô na região metropolitana de Belo Horizonte é novela. Mas não é qualquer novela, é daquelas novelas ruins, lentas, que nada acontece e o expectador muda de canal antes de saber o final. São mais de 30 anos enrolando a população da região. Nesta quarta-feira o governo Zema anunciou mais um capítulo dessa novela.

O governo estadual confirmou acordo com a união para ampliar o metrô da capital mineira. Um investimento de R$3,2 bilhões que está previsto para começar em 2022.

Não é a primeira promessa e, coincidentemente, não é a primeira que acontece às vésperas de uma eleição.

Em 2020, o Coluna fez uma reportagem com o levantamento de valores e projetos apresentados desde a última expansão do metrô, realizada em 2002.

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Nem Zema acredita muito que metrô aconteça e apela ao “se Deus quiser”

“Depois de algumas décadas, se Deus quiser, esse projeto será destravado e se transformará em realidade. É lógico que é uma obra que vai levar algum tempo para ser executada, mas pelo menos será iniciada. Vai criar empregos e dinamizar a nossa economia”, afirmou Zema.

O governador mostrou satisfação com a notícia. Mas manteve-se reticente na comemoração.

O anúncio foi feito durante reunião, em Brasília, realizada pelo governador com os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Gomes, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

Esses ministros são os mesmos que há aproximadamente um ano atrás comemoraram a expansão do metrô ao lado de Carlos Viana. Dessa vez o senador não apareceu nem na foto oficial do anúncio. Coisas da política.

Ano passado, o governo federal fez o Senador Carlos Viana passar vergonha diante de seus eleitores. O senador teve a promessa de que os recursos necessários à expansão seriam enfim liberados. Dias depois o presidente Bolsonaro negou e o Ministério da Economia informou que não seria possível incluir o projeto no orçamento do governo.

O Senador reclamou, disse que haveria outras formas, utilizando recursos de multas e acordos com as concessionárias da rede ferroviária. Mas nada aconteceu.

Antes de Zema e Carlos Viana, Dilma já havia prometido o metrô pra BH

Antes de Zema e Carlos Viana, a ex-presidente Dilma também já havia feito a sua promessa de expansão do metrô em BH. O anúncio de Dilma foi feito em 2011 e os recursos liberados no orçamento feito em 2013. Curiosamente, um ano antes das eleições, como ocorre hoje. Naquela época os recursos não foram utilizados e retornaram para os cofre da união.

O projeto que todos utilizam como base foi realizado em 2005, ano que antecedeu a eleição presidencial de 2006. De acordo com esse projeto, serão gastos aproximadamente aproximadamente R$1,2 Bilhão para conclusão da linha2, a linha do metrô até o Barreiro, e outros R$800 milhões para ampliação da linha1.

Foi com base nesse projeto que o ex-prefeito de Belo Horizonte fez buracos na Praça7, centro de BH, para verificar a viabilidade do metrô subterrâneo naquela região. Coincidentemente, esses buracos foram feitos em 2013, ano que antecedeu as eleições de 2014, na qual o prefeito pretendia disputar o cargo de governador. Após os buracos, nada mais foi feito.

Governo promete obras para 2022, não custa lembrar, ano de eleição

“Hoje é um dia histórico para Minas Gerais. Em reunião com o governador Romeu Zema, o governo do presidente Jair Bolsonaro chegou ao acordo que possibilitará a ampliação da linha 1 e construção da linha 2 do metrô de BH. Os investimentos fazem parte do projeto de desestatização da CBTU-MG”, afirmou o ministro Rogério Marinho.

Em 1980 foi apresentado o projeto do atual metrô de BH. Ele viria a substituir os trens de subúrbio, que rodavam na região de forma precária. Detalhe, a linha dos trens de subúrbio chegou a ter 17 estações e 21 paradas, com linhas que interligavam várias cidades, incluindo Betim, Raposos e Rio Acima, entre outras.

Em 1986 o metrô entrou em funcionamento. Naquela época já havia a promessa de expansão do metrô até o Novo Eldorado e a promessa de criação da linha2, que ligaria o Barreiro ao Centro de Belo Horizonte e, de quebra, atenderia a Vila São Paulo e o Industrial, em Contagem. De lá para cá, promessas, só promessas.

Veja o histórico completo do caso:

COLUNA1: https://coluna1.com.br/2020/09/02/governo-ja-investiu-r26-milhoes-na-expansao-do-metro-mas-ate-agora-obras-sao-apenas-promessas/