Foram várias as consequências negativas das pandemia de Covid-19. Uma delas, pelo menos em Minas Gerais, foi a maior dificuldade de encontrar doadores de órgãos. Para que alguém doe seus órgãos, é necessário que os familiares autorizem. Mas as famílias estão resistindo mais em realizar esse ato de amor.

De acordo com o diretor do MG Transplantes, Omar Lopes Cançado, a taxa de recusa, atualmente, está próxima dos 50%. “É um número muito alto. Trabalhávamos anteriormente com um percentual de 30% de negativas em relação à doação. Por isso, é essencial avisar sobre o desejo de ser doador, pois a família tende a seguir a vontade manifestada pelo ente”, explica.

O momento da doação de órgãos é delicado; é triste. Os familiares precisam tomar a decisão ao mesmo tempo em que vivem a dor pela morte de um ente querido. Não é fácil. Mas é necessário.

Doar órgãos pode trazer vida em um momento em que o peso da morte inunda de tristeza a vida das pessoas. Doar órgãos é vida. É necessário e, por isso, é importante falarmos disso antes.

A psicóloga do MG Transplantes Eliane Gonçalves Silva ressalta que há um trabalho baseado no acolhimento familiar para a redução das recusas. “É uma situação bastante delicada. Temos a preocupação de dialogar com muita sensibilidade, respeito, empatia e, principalmente, disposição para esclarecer todas as dúvidas. Além disso, estamos sempre promovendo treinamentos para profissionais da área da saúde que irão lidar com os pacientes e seus familiares, desde a entrada no hospital”, afirma. 

Eliane acredita que os protocolos sanitários necessários neste momento de pandemia contribuem para o aumento das recusas. “Todo o processo acaba levando mais tempo porque temos que seguir o manejo estabelecido pelas autoridades de saúde. Isso também prolonga a angústia da família, que, muitas vezes, acaba desistindo”, pondera. 

Dez vidas transformadas pela doação em Contagem

Mas se a realidade da doação de órgãos desanima, Contagem conta histórias de alegria que nos inspiram a agir.

Nas duas últimas semanas o Hospital Municipal de Contagem foi cenário de histórias de amor e doação. Se para cinco famílias o momento foi de muita perda e dor, para outras dez o gesto significou uma nova chance de vida. A família de um paciente doou o fígado, outras cinco doaram córneas.

O Hospital Municipal de Contagem é uma das instituições responsáveis pela captação de órgãos em Minas Gerais. Segundo a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos – ABTO existe, no Brasil, cerca de 400 equipes médicas cadastradas para realizar transplantes de órgãos e tecidos, como rim, rim/pâncreas, fígado, coração, pulmão, medula óssea e córnea, entre outros.

 Renata Graziela Soares, médica da Comissão Intra-hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes – CIHDOTT do Hospital Municipal, não economiza elogios para a equipe da instituição envolvida com todas as etapas do processo de captação. “São cerca de 100 pessoas. Médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas, entre outros profissionais igualmente importante para o sucesso do procedimento”, destaca.

Tipos de doador e fila de espera da doação de órgãos

Há três tipos de doadores, o doador em Morte Encefálica, o doador vivo e o doador de coração parado. É importante comunicar à família o desejo de ser doador, não é necessário deixar nada por escrito. Podem ser doados os seguintes órgãos e tecidos: córneas, coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, intestinos, pele e tecidos musculoesqueléticos. O doador vivo é qualquer pessoa saudável que concorde com a doação, sem comprometimento de sua saúde e aptidões vitais. Por lei, podem ser cônjuges e parentes até o quarto grau.

Os doadores vivos podem doar um dos rins, a medula óssea, uma parte do fígado e uma parte do pulmão. O potencial doador vivo também deve ser encaminhado a um Centro Transplantador, para que se verifique as possibilidades do transplante. A retirada de tecidos e órgãos de doador falecido para transplantes depende da autorização do cônjuge ou parentes até o segundo grau, que são consultados após o diagnóstico de morte encefálica (parada total e irreversível do cérebro, atestado por diversos exames).

Quando o paciente está em quadro de morte encefálica, podem ser retirados todos os órgãos passíveis de doação. Com o coração parado é possível doar apenas as córneas, que podem ser retiradas num prazo de até seis horas. Para entrar na lista de receptores de órgãos e transplante é preciso ser encaminhado por um médico para um dos Centros Transplantadores. O paciente é submetido a vários exames, que variam conforme o caso clínico, para que seja comprovada a necessidade do transplante.

Para a realização do transplante, há uma lista única do Estado de Minas Gerais, sob a responsabilidade do MG Transplantes, em que são observados vários critérios: urgência, compatibilidade de grupo sanguíneo, compatibilidade anatômica (tamanho do órgão e do paciente), compatibilidade genética, idade do paciente, tempo de espera, dentre outros critérios.

com informações PMC e Agência Minas