A prefeitura realizou uma reunião com trabalhadores da UPA da Sede na semana passada e comunicou a todos os funcionários que a unidade seria transformada em centro de atendimento psicossocial e integrar a rede de apoio à saúde mental em Contagem. Pessoas que participaram da reunião chegaram a relatar que foi informado aos trabalhadores que eles teriam que escolher entre continuar ou deixar a unidade após a mudança de atendimento e que essa mudança era dada como certa.

A notícia correu a cidade e foi mau recebida pela população da Sede. Depois da reação, a prefeitura mudou as notícias que tinham sido divulgadas a respeito do assunto e informou que a ideia de transformar a UPA Sede em um Centro de Atenção Psicossocial – Caps, dentro da estrutura da Rede de Atenção Psicossocial, é apenas uma proposta “embrionária” e que outras propostas também estão colocadas para o debate.

A mudança de posição foi confirmada na noite desta segunda-feira. A prefeita Marília Campos chamou uma reunião com os membros do Conselho Municipal de Saúde,  a diretora do Distrito Sanitário Sede, Aparecida Santana, o administrador regional, Lindomar Diamantino, o vice-prefeito, Ricardo Faria, o secretário de saúde, Fabrício Simões, e o secretário de governo, Pedro Amaral e divulgou a mudança de proposta.

De acordo com a administração municipal, a reunião faz parte de um primeiro debate “para formatar uma proposta que aproveite a estrutura do prédio e a localização da unidade para melhorar a assistência à saúde pública na cidade”. 

Ainda de acordo com o governo municipal, uma nova reunião ampliada, desta vez com a participação da comunidade será realizada na próxima quarta-feira, 27/10, às 18h30, no hall principal da Prefeitura de Contagem.

Na reunião surgiu uma nova proposta, transformar a UPA em UBS – Unidade Básica de Saúde. A ideia agora é transferir a UBS Cad para o atual local da UPA Sede, com reforma e readaptação do local para receber o equipamento que já funciona na avenida Prefeito Gil Diniz, 401, bairro Arcadia.

Caso a UBS Cad passe a funcionar na estrutura da UPA, ela receberia uma carteira maior de serviços, inclusive com horário estendido de maneira permanente, com o objetivo de fortalecer o atendimento na Atenção Básica no município.

Essa mudança foi bem avaliada pelos conselheiros municipais presentes e também pelos representantes da Administração local, como o administrador da Regional Sede, Lindomar Diamantino, e a diretora do Distrito Sanitário Sede, Aparecida Santana.

“Ainda é uma proposta. Temos sugestões de um Caps, de uma UBS. Eu acredito que ter uma UBS com um horário estendido será um ganho para a população. Lá comporta a estrutura e vem ao encontro de nossa demanda. Vem também ao encontro da proposta da Prefeitura de fortalecer a Atenção Primária”, disse Diamantino.

Atualmente, a UBS Cad tem registradas 19 mil famílias em seu cadastro, funcionando com três Equipes de Estratégia Saúde da Família – ESF, e com duas Equipes de Atenção Básica – EAB, reunindo aproximadamente 30 servidores. A unidade atende aos bairros Três Barras, Funcionários, Sede, parte dos bairros Alvorada, Central e Camilo Alves.

“A UBS Cad tem um grande número de atendimento assistencial, tanto por parte da enfermagem, quanto por parte da assistência médica, e se essa mudança vier com o reforço da unidade e a ampliação de horário, a população da região Sede de Contagem só tem a ganhar”, avaliou Aparecida.

Diferença entre UPA e UBS

De acordo com o Ministério da Saúde, a UPA é unidade destinada ao atendimento de urgência e emergência. Local adequado para o primeiro atendimento em casos de cortes, fraturas, febre e pressão alta, infarto e derrames. A UPA é ligada diretamente ao SAMU e deveria evitar encaminhamento ao Pronto-Socorro.

As UBS, por sua vez, realizam o atendimento básico de saúde, como consultas de pré-natal, acompanhamento de hipertensos, diabéticos e pessoas acometidas por doenças como hanseníase e tuberculose, além da distribuição de medicamentos gratuitos e vacinação. A UBS é a porta de entrada do SUS e, de acordo com o ministério, deve suprir 80% da demanda por atendimentos dos usuários do sistema.

Justificativa para fechar a UPA da Sede

A Secretaria Municipal de Saúde – SMS detalhou dados técnicos que mostram que a UPA Sede registra fluxo de usuários abaixo do que é estabelecido como meta pelo Ministério da Saúde.

Segundo dados da SMS, o equipamento tem um custo médio mensal estimado para os cofres municipais de R$ 775. 435,19. No entanto, o município só recebe em contrapartida R$ 125 mil, sendo R$100 mil provenientes do Ministério da Saúde, e R$ 25 mil do governo estadual, cabendo a Prefeitura arcar sozinha com R$ 650.435,19. 

Mesmo diante do alto custeio, a unidade é a que registra a menor média de atendimento entre todas as UPAs da cidade sendo, a primeira a UPA JK, a segunda, Vargem das Flores, a terceira, UPA Ressaca, e a quarta, UPA Petrolândia. Os dados são do Sistema de Informação Ambulatorial – SIA/SUS, e se referem aos anos de 2017 a 2020.

A prefeitura não apresentou avaliação das razões para a pouca procura na unidade.

Mesmo com a decisão de fechar a UPA da Sede em razão de pouca procura, a prefeitura divulgou que pretende abrir outras duas UPAs na cidade, uma na regional Nacional e outra na regional Industrial.