Deus é brasileiro e não dá asas à cobra. Sorte do povo brasileiro, azar de Bolsonaro

Os generais e chefes das forças armadas do Brasil mostraram que não têm coragem de impedir as loucuras de Bolsonaro. Isso ficou claro com a recusa do comandante do exército, general Paulo Sérgio, em punir o General Pazuello por suas participações em atividade política partidária.

Se os generais não têm coragem de aplicar a lei contra um subordinado, nunca terão peito para impedir um autogolpe do presidente para criar uma ditadura bolsonarista no Brasil.

A justiça segue sem credibilidade; o parlamento segue o vento; os mililitares não demonstram coragem. E o presidente e seus apoiadores já mostraram que têm a ambição golpista. Dessa forma, só Deus impede um golpe no Brasil.

Deus é brasileiro e não dá asas à cobra. Se Bolsonaro tivesse competência para governar, seu sonho de ditadura já tinha levantado voo e se tornado realidade no país. Mas, graças à Deus, ele não tem.

A forma desastrada e incompetente com que o governo federal agiu na pandemia fez com que as vacinas chegassem tarde para milhares de brasileiros que perderam a vida para a Covid. Essa mesma incompetência fez milhares de empregos desaparecerem e a economia segue em desalinho.

Hoje Bolsonaro não dá um golpe na democracia brasileira, porque não tem apoio popular. Graças à Deus, Bolsonaro não tem competência para voar. Se tivesse um pouco mais de competência, um golpe estaria instalado. Se dependesse da coragem dos militares para enfrentar o presidente e defender a constituição, um golpe estaria instalado.

Aliás, nossos militares de alta patente só demonstram coragem atualmente quando é para criticar adversários políticos ou exigir privilégios do governo. Detalhe, militar nem sequer deveria ter adversário político, porque militar não pode fazer política, no Brasil nem em nenhum outro país moderno do mundo.

A falta de coragem tem sido uma constante nos militares governistas. Um deles, o general Luiz Eduardo Ramos, que também é ministro, chegou ao cúmulo de admitir que não teve nem coragem de contar para Bolsonaro que tomou vacina contra Covid! Em reunião ele disse que tomou vacina escondido e salientou: não fui o único!

Bons tempos em que as forças armadas significavam algo realmente importante para o país. Hoje resumem-se a um grupo armado que age para defender o próprio interesse.

A HISTÓRIA DAS FORÇAS ARMADAS NO BRASIL É UMA SEQUÊNCIA DE GOLPES

As forças armadas do Brasil são golpistas. Isso é um fato desde a proclamação da república. Mas pelo menos davam golpes com justificativas, digamos, mais nobres.

Aliás, a história, essa infeliz condenada a não esquecer os fatos, mostra que além de golpista as forças armadas também tendem a ser traiçoeiras.

No golpe que levou à proclamação da República, em 1889, a liderança coube aos Marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Os dois traíram a confiança do Imperador descaradamente, tiraram D.Pedro II do poder e colocaram as oligarquias no lugar.

Deodoro era amigo pessoal do imperador e Chefe Militar no Rio Grande do Sul, um dos postos de maior confiança do Império; Floriano por sua vez era o encarregado de proteger a sede do governo imperial, mas negou-se a resistir e dar ordem de prisão à Deodoro e seu grupelho de revoltosos. Em outras palavras, a República começou com uma traição das forças armadas.

Certo que os dois justificaram a ação como se fosse o avanço do Brasil à modernidade da República. Mas certo também que, no fundo, os dois marechais serviram como instrumento para garantir privilégios aos militares e o poder da oligarquia rural ressentida com o fim da escravidão.

As forças armadas que deram o golpe contra o Império se uniram à Getúlio Vargas para dar um golpe militar e derrubar a oligarquia; oligarquia que eles tinham protegido em 1889. Traíram aqueles que antes tinham apoiado.

Mesmas forças armadas que se juntaram aos EUA na Guerra Fria e organizaram um golpe militar para derrubar Getúlio Vargas em 1954. Só não conseguiram porque Getúlio se suicidou e adiou os planos por um tempo.

Alguns militares tentaram continuar o golpe em 1955. Mas, por sorte, naquele momento o Brasil tinha o Marechal Henrique Lott no comando do exército. Aliás, os incidentes de 1955, são muito semelhantes aos de hoje em dia.

Em 1955, um coronel fez um discurso golpista em público; dizia que Juscelino Kubistchek, vencedor das eleições, não poderia assumir pois tinha recebido apoio dos comunistas, liderados por Luís Carlos Prestes.

Marechal Lott, que era o Ministro da Guerra, defendeu que o coronel deveria ser punido por manifestação político partidária, contrária à constituição. Ele encaminhou a punição ao seu subordinado. Coisa que os militares de hoje deveriam ter feito, mas não fizeram.

Na opinião de Lott, JK venceu a eleição e a constituição garantia o direito de JK assumir a presidência.

Toda uma articulação política foi feita para que a punição não fosse aplicada ao Coronel golpista. Lott, então, pediu afastamento do cargo.

Porém, quando ficou claro que havia um golpe encaminhado contra o resultado das eleições, Lott organizou um grupo e deu um golpe contra o governo golpista. Isso mesmo: um golpe contra os golpistas… a democracia no Brasil é linda!

Marechal Lott, apoiado por outros militares, tomou quarteis no Rio de Janeiro, que era a capital do país. O marechal e seu grupo colocaram o presidente interino pra correr.

Carlos Luz era adversário de Juscelino e assumiu o poder na transição do golpe. Protegido por militares golpistas, Carlos Luz entrou em um navio de guerra e fugiu rumo à São Paulo.

Os quarteis tomados por Lott dispararam tiros em direção ao navio onde Carlos Luz estava. O navio se afastou da costa.

Lott encaminhou um pedido de impeachment ao senado sob pretexto que o Presidente tinha se saído do país, rumo às águas internacionais, sem comunicar e pedir autorização ao parlamento. Com esse fundamento, o pedido de impeachment foi votado e aprovado.

Café filho, que era o presidente oficial do país, retomou ao poder e quis manter o golpe; ele se aliou aos golpistas e quis impedir a posse de Juscelino. Porém, mais uma vez o Marechal Lott interviu e garantiu a posse de JK.

Na conta final do processo, o Brasil teve três presidentes diferentes em uma única semana! Linda democracia brasileira!

Os militares tentaram outro golpe em 1962; desta vez foram impedidos por Brizola e as tropas legalistas do Rio Grande do Sul.

Em 1964, o golpe iniciado em 1955 foi finalmente concluído. Os militares impediram o governo de João Goulart e começaram a ditadura militar.

Foram vários outros golpes dentro do golpe, incluindo o de 1968 que criou o AI-5. Esse golpe dentro do golpe serviu para acabar com a mentira dos militares, que afirmavam que o golpe deles duraria apenas até a próxima eleição e a retomada da normalidade.

Até o jornalista Carlos Lacerda, fiel golpista instalado na imprensa, que sempre apoiou e estimulou golpes, acabou preso pelos militares. Novamente, golpe militar e traição aos antigos aliados.

QUE A OPOSIÇÃO APRENDA COM A HISTÓRIA

Golpes só são impedidos na véspera. Um golpe nunca é impedido depois de instalado.

D. Pedro II sabia da insatisfação de militares com a diminuição de soldos e privilégios após a Guerra do Paraguai. Deodoro já havia tomado à frente de manifestos políticos. Mas o imperador e seus comandados relutaram em aplicar punições severas.

Marechal Lott, quando viu o golpe em construção agiu para impedir, mesmo correndo o risco de criar instabilidade no país. Vejam, ele atirou em um navio que carregava o presidente golpista! Exagero ou não, ele impediu o golpe em 1955.

Em 1964, os “democratas” se mantiveram divididos, na crença de que o “problema era dos outros”.

Em 1966, quando o golpe militar já estava instalado, Carlos Lacerda, Juscelino e João Goulart anunciaram uma frente ampla em favor da democracia e do retorno à normalidade.

Em 1968 os militares afirmaram que a frente era ilegal. Os envolvidos na frente pela legalidade e democracia foram presos ou exilados. Os militares retiraram os direitos políticos de todos os envolvidos.

Lacerda foi preso, Juscelino foi exilado e depois morreu em um acidente – um caminhão bateu na traseira do carro onde JK estava e o empurrou de uma ribanceira – Brizola saiu do país, Prestes saiu do país, Goulart saiu do país e morreu no exílio, em circunstâncias que até hoje levantam dúvidas.

A história não serve como instrumento de adivinhação do futuro. Mas ela nos ajuda a criar cenários possíveis e prováveis. Se existe a ideia de uma frente ampla, cabe avaliar se esta não deve ser acelerada. Atos conjuntos, palanques conjuntos. Juntos pela democracia. Mas juntos agora, depois é tarde.

Um impeachment é improvável e ainda poderia transformar o presidente em mártir dos injustiçados. Mas mobilizar a opinião pública e isolar o radicalismo bolsonarista é, neste momento, viável. Este é o melhor momento para esta frente; é o momento de maior fragilidade do presidente e precisa ser aproveitado. Depois, talvez, seja tarde demais.

Pesquisa mostra que “Terceira Via” só existirá se for construída pela pista da direita, sobre votos de Bolsonaro

O DataFolha divulgou nesta semana uma pesquisa que fez muita gente dizer que a possibilidade de uma “Terceira Via” acabou. Não é verdade.

A única coisa que a pesquisa mostrou é que o PT, pelo menos em nível nacional, continua dono dos votos da esquerda. Mas mostra também que Bolsonaro está diminuindo de tamanho e pode dar lugar a um terceiro candidato viável.

Lula se aproxima dos 41% das intenções de voto. Mesmo sendo um patamar alto, ainda é menor do que o PT chegou nas eleições de 2006 (com 48%), em 2010 (com 46%) e em 2014 (com 41%). O fato de Lula estar com esse percentual de votos não é, propriamente, nenhuma surpresa. É, de fato, algo previsível.

Tão previsível que Ciro Gomes já tem, há algum tempo, mirado suas críticas ao PT. A chance de Ciro crescer é se mostrar como antipetista. Disputar votos na esquerda contra Lula é perda de tempo para Ciro. Ele tem que disputar os votos dos contrários ao PT, por isso as críticas ao PT. Ele está certo, não há nada de desleal nisso; é apenas estratégia.

Os candidatos da direita raiz, por assim dizer, somam 18%, mas são votos espalhados em 5 candidatos (Sérgio Moro, João Doria, Luciano Huck, Mandetta e Amoedo). Além desses 18% ainda somam-se mais 6% de Ciro Gomes.

Isso coloca Lula com 41%, Bolsonaro com 23% e os candidatos que não concordam nem com Lula nem com Bolsonaro somam 24%. O problema para a terceira via não é Lula, é o diálogo entre eles e o problema de Lula é que ele precisa da terceira via para vencer.

Mesmo nas eleições em que o PT teve resultados excepcionais, ele nunca teve votos suficientes para vencer em primeiro turno. É preciso uma terceira via democrática (inclusive para propiciar a eleição de um parlamento menos bolsonarista).

A direita acusa os líderes da esquerda de não conversarem nem entre eles mesmos. Mas quando a direita é colocada na situação de dialogar entre si, enfrenta as mesmas dificuldades. Enquanto ninguém abrir mão de ser o salvador da pátria, a terceira via da direita continuará frágil.

MAIS UMA ELEIÇÃO ENTRE OS FAVORÁVEIS E OS CONTRÁRIOS AO PT

A grande questão que deve estar tirando o sono da equipe de marketing do Bolsonaro é que, sendo dono de 23% e com Lula na dianteira, beirando uma vitória no primeiro turno, Bolsonaro perde o protagonismo do discurso.

Com a situação do jeito que está, a motivação de votos será a mesma de 2018: será uma escolha entre ser contra ou a favor do PT.

Isso significa que é o PT quem vai escolher o candidato que irá disputar o segundo turno. Calma, explicamos: o candidato que irá assumir o segundo lugar será aquele que o PT escolher como antagonista no debate, sobretudo nas redes sociais.

Cabe ao PT e aos militantes petistas nas redes sociais compreenderem que quem escolhe adversário é o próprio PT.

Nesse momento, o objetivo do PT e de todos os políticos democráticos do país tem que ser eliminar a sustentação política de Bolsonaro. Por isso, se o PT quer acabar com o bolsonarismo precisa parar de falar de Bolsonaro.

Os petistas podem não ter percebido isso ainda, mas Bolsonaro já percebeu.

Sempre que alguma coisa sai dos planos – seja a descoberta de Queiroz, seja a mansão de R$6 milhões do filho do presidente ou uma CPI soprando no cangote – sempre que algo sai do controle o presidente dá um jeito de fazer uma manifestação maluca sobre ditadura, homossexualismo ou racismo.

A intenção de Bolsonaro não é atiçar sua base. A intenção de Bolsonaro é fazer a base petista se movimentar. Sempre que um petista vai para as redes sociais chamar Bolsonaro de maluco, torna o presidente mais forte no posto de “antipetista mor”.

É isso que ele quer. Para vencer eleição Bolsonaro precisa encarnar o antipetismo. Os petistas tem que tomar cuidado para não fazer isso, de novo, em 2022.

Não. Não estamos dizendo que Bolsonaro é cria do PT. Bolsonaro é fruto de uma intensa campanha de desvalorização da atividade política e ridicularização do bom senso, que inclui programas de TV como Pânico e CQC e chega até aos corredores do Ministério Público. Mas, em termos eleitorais, a incapacidade dos militantes da esquerda em resistir às provocações ajudou um pouco a transformar Bolsonaro em mito da idiotice.

Pelo lado da direita, o objetivo também tem que ser eliminar a ameaça autoritária de Bolsonaro. Para isso, eles também têm que mirar o PT. A direita democrática precisa dar o próximo passo e fazer a síntese das propostas de esquerda e de bolsonaristas.

O problema é que a direita tem perdido oportunidades uma atrás da outra.

Por exemplo, no último mês houve um massacre em Santa Catarina e um massacre policial no Rio de Janeiro. A esquerda naturalmente mobilizou-se contra o absurdo que foi a chacina policial no Rio de Janeiro. O Bolsonarismo partiu logo para a ofensiva dizendo que “era tudo bandido”. Os dois lados deram pouca ênfase, mostrando relativa insensibilidade, à chacina de Santa Catarina.

Era o momento da direita um pouco mais consciente apresentar um meio termo. Na questão do Rio de Janeiro era a hora de um líder da direita progressista intervir e tomar a frente do discurso, exigindo rigor contra os bandidos, mas defendendo a existência da polícia. A maior parte da população pensa é desta forma.

Os líderes da direita poderiam fazer uma crítica aos abusos policiais e defender uma estratégia policial de inteligência. Mas não fizeram. Se calaram e acabaram sendo indiferentes. Quem quer apresentar candidato à presidente não pode ser indiferente num caso dessa proporção.

A maior parte da população detesta bandido e acha a polícia importante; mas também não quer policial por aí matando inocentes. Esse viés deveria ser ocupado pela direita. Mas não foi.

Os líderes da direita poderiam ter ido, por exemplo, até Santa Catarina, um dos Estados brasileiros onde o bolsonarismo é mais forte, para mostrar compaixão com as vítimas – coisa que Bolsonaro não fez, diga-se de passagem.

Eles poderiam fazer um ato conjunto na cidade onde houve o massacre, com as presenças das principais lideranças da direita. Mas não fizeram. Abriram mão de serem protagonistas.

Lula estava em Brasília chamando apoios para seu projeto político; Bolsonaro estava criando discursos malucos contra a China; e os líderes da direita, onde estavam? Assistindo a ação dos outros e tomando espumantes na Avenida Paulista?

A terceira via pode existir? Pode. Existe voto disponível para isso. Mas quem quer ser protagonista precisa agir como protagonista. Petistas e Bolsonaristas têm feito isso e por isso têm suas posições garantidas e um mínimo de voto já estabelecido.

Mas e a direita democrática? Vai ficar apenas assistindo? Surge inclusive uma dúvida razoável: a terceira via é possível dentro da direita democrática. Mas será que de fato existe direita democrática no Brasil? Se não existir, é uma boa hora para criarem.

A curiosa tendência de autossabotagem da esquerda brasileira na ilusão da hegemonia

Acho que deve ser praga de Robespierre, líder da revolução francesa. Por uma razão ou outra, a esquerda mundial e especialmente a esquerda brasileira se mostram incapazes de se unir, mesmo que estrategicamente. A repercussão do anúncio de que Haddad será o candidato de Lula nas eleições de 2022 é só mais um capítulo dessa história.

Ajoelhado, com a lâmina da revolução sobre sua cabeça prestes a rolar na guilhotina, Robespierre deve ter praguejado contra a esquerda mundial, que ainda engatinhava entre os cacos de uma Paris destruída: vocês que se dizem revolucionários, que lutam pela liberdade, vocês serão sempre presos aos seus medos e ambições; vocês que pregam a fraternidade, jamais terão a confiança de seu irmão; vocês que creem na igualdade, viveram sempre divididos; serão sempre inimigos íntimos de vocês mesmos.

Na tumba, Rousseau deve se revirar tentando explicar seu conceito de vontade geral, mas é tarde. Está enraizado no pensamento das esquerdas: a verdade é única e não podem haver duas opiniões diferentes sobre um mesmo fato. Se duas pessoas honradas propõe dois rumos diferentes para a nação, a explicação é simples: uma das duas está mentindo e merece a guilhotina.

Quando Lula disse que apoiará Haddad, Guilherme Boulos, candidato do PSOL paulista, arrepiou. Disse que primeiro é necessário definir o “projeto”; ou seja, primeiro é necessário definir a verdade única e inquestionável, o caminho de consenso. Vontade geral de Rousseau.

Lula é um senhor de 75 anos, que passou por um câncer, tem uma condenação mal resolvida e ainda tem outros processos engatilhados. Não se pode apostar todas as fichas em um candidato que depende da boa vontade do STF e que a qualquer momento pode ser novamente alvejado pelo TRF4. Lula sabe disso e por isso escolheu Haddad. Se a esquerda quer ganhar a eleição em 2022 e afastar opções autoritárias como Bolsonaro, precisa sim apresentar o candidato do Lula e construir essa alternativa. A decisão petista é acertada.

Porém, do ponto de vista de Guilherme Boulos, o ideal é que ele fosse o candidato escolhido por Lula ou, na pior das hipóteses, que o PT atrasasse sua escolha.

A esperança é que os petistas não consigam construir uma alternativa e o PSOL consiga crescer na esquerda nacional. Se tornar um novo PT. Boulos não foi capaz de perceber que em São Paulo, terra de Haddad, quem sairá vencedor é ele. Mas que Lula pode tirar votos de Bolsonaro em locais onde o PSOL ainda nem sonhou em chegar. O PSOL tem que continuar crescendo, pelo bem da esquerda e do país. Mas não deve diminuir o PT. Da mesma forma que o PT não deve atrapalhar o caminho do PSOL.

E o pensamento limitado ao nicho não é exclusividade de Boulos, muito pelo contrário. Nas eleições de 2020, muita liderança boa do PT se esforçou para desconstruir e enfraquecer Guilherme Boulos em São Paulo; alguns chegaram realmente a ficar felizes com a derrota do PSOL na prefeitura de São Paulo.

A mesma coisa em relação a Ciro Gomes. Ele é candidato do PDT, um partido de centro esquerda, trabalhista. Poderia buscar votos para a esquerda entre uma classe média que ainda se arrepia com o rótulo de “comunista”, mas que não se vê beneficiada pelo capitalismo. Ciro é permanentemente alvejado por parte da esquerda. Foi a própria esquerda que apelidou o cearense de “coronelzinho” e dia a dia descontrói sua imagem.

É necessário lembrar que Ciro foi um dos ministros mais leais de Lula; seu irmão foi um dos poucos ministros de Dilma que teve a coragem de brigar contra o “centrão”, na tribuna do congresso, em defesa da ex-presidente. Não custa lembrar também que, nesse momento, ele é um dos principais cotados para ser vice de Haddad. Talvez por isso ele, Ciro Gomes, ainda não tenha dado nenhuma declaração agressiva contra a escolha de Lula. Pois Ciro é outro, que mesmo não sendo esquerda raiz, cresce fazendo ataques gratuitos aos líderes da própria esquerda.

O que dizer então de Marina Silva. Na época em que ela era a ministra de meio ambiente de Lula, a opinião vigente na esquerda sobre ela era a de admiração. Viúva de Chico Mendes. Símbolo da luta das esquerdas ambientalistas; legítima representante dos povos explorados da floresta.

Bastou ela entrar na rota da presidência da República para ser bombardeada de maneira rude e altamente destrutiva. E não foi pela direita. Quem destruiu Marina foi a própria esquerda, na famigerada disputa presidencial de 2014. Nas eleições de 2014, o PT, principal partido da esquerda brasileira, mostrou que preferia devolver o país à direita do que passar a vez para outra liderança das esquerdas. Foi o PT que escolheu ir para a disputa contra Aécio ao invés de ir contra Marina.

Marina por sua vez, em 2018, preferiu ficar calada e ver Bolsonaro presidente do que fazer um acordo com o petismo de Fernando Haddad. Antes de Marina tivemos Heloisa Helena, destruída pela esquerda, Cristóvão Buarque, laureado e depois renegado pela esquerda, Brizolla e tantos outros casos de biografias da esquerda grotescamente desconstruídas pela própria esquerda. Coisas da política brasileira.

A situação de dificuldade em que a esquerda se encontra no país hoje é fruto, em parte, de sua própria prática. No mundo, exemplos como Marx contra Bakunin, Comunistas contra Anarquistas ou Stalin contra Trotski, já mostravam as dificuldades ideológica da vanguarda socialista. Mas no Brasil, é gritante.

Em Minas Gerais, Fernando Pimentel preferiu entregar a prefeitura de Belo Horizonte à uma aliança com Aécio Neves e Márcio Lacerda do que deixar outros grupos do PT assumirem. Em Betim, em Contagem, em Ipatinga e várias outras cidades de Minas Gerais, que já foram administradas pela esquerda, a luta entre duas lideranças colocou em risco a continuidade dos projetos progressistas. No Estado hoje, o PT tenta se reconstruir. Em Belo Horizonte, minguou bruscamente.

Hoje é necessário reconhecer que o PT é o partido de oposição com maior quantidade de votos. Mas também é necessário reconhecer que existe uma resistência muito grande ao PT e às ideias do partido. Por isso, quanto mais candidatos fortes de esquerda houver, melhor será.

Ninguém de bom senso da esquerda seria capaz hoje de apostar que a esquerda irá vencer em primeiro turno. Isso é quase impossível nesse momento. Em 2022 haverá segundo turno para presidente. Quanto mais candidaturas fortes existirem, melhor.

Destruir candidaturas de esquerda ainda no ninho é uma autossabotagem que não costuma ser perdoada. Nunca devemos subjulgar a inteligência e a capacidade de observação do povo. O povo vê, o povo sabe. As acusações que fizerem agora, uns contra os outros, poderão e serão lembradas em 2022.

Diálogo e compromisso marcam o primeiro mês do governo municipal

Política não se faz com amizades. Política se faz quando os políticos honram a palavra dada.

O governo da prefeita Marília Campos passou este primeiro mês se esforçando para honrar os compromissos firmados com os mais diferentes grupos da cidade. Compromissos feitos antes e depois da eleição. E o sucesso no cumprimento desses compromissos explica o sucesso que o governo teve até agora.

Desde o primeiro discurso, no meio do povo, logo após confirmação da vitória nas urnas, a prefeita Marília Campos disse que queria fazer um governo de diálogos; um governo capaz de reunir a cidade dividida após uma eleição extremamente tumultuada.

Assim, a administração municipal tem buscado criar diálogos. Principalmente com aqueles que não estiveram ao lado da prefeita durante a eleição.

A primeira grande ação do governo Marília recebeu o nome de “Pacto”, o “Pacto pela Vida”; é um acordo firmado com grupos diferentes e divergentes em torno de um objetivo comum: manter a cidade funcionando e ao mesmo tempo evitar a disseminação do Covid-19.

Apesar de todas as críticas e suspeitas que a estratégia possa levantar, o fato é que tem dado certo. A pandemia não saiu do controle e os efeitos sobre a economia e a vida das pessoas foram reduzidos.

A estratégia para o sucesso tem sido o diálogo. Mas esse diálogo seria vazio se a administração municipal não tivesse se esforçado para demonstrar seriedade e disposição para dividir méritos.

Um exemplo disso foi visto hoje, na apresentação dos projetos com redução de tributos e parcelamento de dívidas. Além de cumprir os acordos feitos, a prefeitura mostrou disposição de dividir os holofotes e os méritos do sucesso, o que em política é sempre bom. Demonstra uma certa generosidade inteligente.

Todos na cidade sabiam que a diminuição do IPTU e as mudanças na taxa de publicidade eram as pautas mais relevantes na cidade.

Em parte, o fracasso eleitoral e político do governo de Alex de Freitas ocorreu por causa de sua estratégia em relação ao IPTU e aos tributos sobre publicidade. Portanto, a atual administração sabia que teria que abordar o tema rapidamente para evitar suspeitas sobre os objetivos do governo Marília.

Por isso, o governo agiu rápido. Mas não agiu de qualquer jeito; fez com requintes de simbolismos. A começar pelo local escolhido para anúncio das medidas. A apresentação poderia ter sido feita na própria prefeitura, em um auditório com uma bela apresentação em power point. Sim, poderia. Mas não foi.

O governo escolheu apresentar os projetos na Câmara dos Vereadores, que são os verdadeiros representantes políticos do povo da cidade.

A prefeita Marília Campos poderia ter enviado o projeto seguindo os protocolos formais, mas ela fez questão de ir até à Câmara; subiu na tribuna e falou direto aos vereadores.

Outro simbolismo é a escolha do público para quem foi feito o anúncio. Além dos vereadores, um grupo de lideranças empresariais da cidade foi convidado para acompanhar a entrega dos projetos. Logo após a entrega dos projetos, a prefeita realizou uma reunião com os empresários para explicar as propostas e intenções do governo.

E ela não recebeu eles em qualquer lugar, recebeu eles no gabinete da presidência da Câmara, tendo de um lado o vice-prefeito, Ricardo Faria, e do outro o presidente da Câmara, vereador Alex Chiodi.

Tudo ato de simbolismo. Mostra compromisso mútuo. Mostra reciprocidade. Coletividade. Compromisso.

Contudo, é óbvio que sempre é possível e fácil de criticar. Difícil é fazer melhor.

No caso em questão, por exemplo, podemos apontar que entre o grupo de convidados para o anúncio seleto, não foi identificado nenhum representante de movimento social ou dos trabalhadores do comércio, serviço ou indústria; que são inegavelmente peças fundamentais para o sucesso de qualquer diálogo.

Mas também é óbvio que a prefeita e sua equipe sabem disso. Não é possível dialogar com todos ao mesmo tempo e a escolha inicial foi o diálogo com os grupos sociais que demonstravam maior resistência à prefeita e seus projetos.

O governo debateu estratégias com a FIEMG, com a CDL, com a associação de donos de academia, sindicato de escolas particulares, donos de bares, empreendedores de buffet, representantes de shopping, mas, corrijam-me se estiver errado, pouco se viu de trabalhadores desses setores.

Não é errado. É necessário sim uma mobilização prioritária dos empresários e empreendedores. Se com eles é difícil efetivar qualquer tipo de pacto, sem eles seria impossível. Além disso é preciso lembrar que todos terão sua vez de falar e ouvir. Contudo, é simbólico; mas para todo simbolismo é necessária certa dose parcimônia para evitar mal entendidos .

De toda forma, o governo trabalha para chegar aos 100 dias com muitas conquistas. No próximo mês tem outra pedra esperando para ser tratada, o retorno das aulas e a sobrevivência do setor educacional estarão pautados. No diálogo, existem razões justas tanto do lado daqueles que defendem manter as restrições no setor, quanto do lado daqueles que querem o retorno das aulas presenciais.

A escola pode ser um enorme vetor de contaminação do Covid-19, mas a ausência das aulas presenciais traz danos reais ao aprendizado e à saúde de crianças; sobretudo às menores, que ainda estão em fase de alfabetização e iniciando suas experiências de socialização.

A educação será uma próxima pedra no caminho do governo municipal. Mas é necessário reconhecer que o governo tem demonstrado habilidade em lidar com situações difíceis. Que continue assim.

Primeira semana de governo foi acelerada e mostra uma prefeita disposta a ser protagonista

A primeira semana de Marília Campos como prefeita de Contagem foi acelerada. Em cinco dias a prefeita teve que lidar com a derrubada do Iria Diniz, com o aumento dos casos de Covid-19, com a ameaça da chuva, com a retomada de obras paradas, além da montagem de equipe e burocracias de início de governo. Apesar disso, o governo conseguiu marcar um estilo e indicar caminhos.

A mais notável mudança foi na comunicação.

Com Marília, a comunicação  deixou de ser Secretaria e passou a estar vinculada ao Gabinete da Prefeita. Mas, mesmo com o “rebaixamento”, em cinco dias úteis se produziu muito mais do que nos últimos seis meses do governo Alex.

Mesmo antes da pandemia, a comunicação oficial do governo Alex era técnica e restrita às rotinas da prefeitura, evitava pautar polêmicas.

Agora, nesta primeira semana de Marília, a comunicação oficial assumiu o protagonismo da agenda na cidade e antecipou polêmicas.

Contagem foi pauta nos grandes jornais da região metropolitana em pelo menos duas situações: na mudança do Iria Diniz e nas ações de combate à pandemia.

As duas situações eram delicadas e potencialmente perigosas para a imagem do governo, mas a equipe da prefeita conseguiu conduzir a situação de forma exemplar; a prefeitura pautou os fatos e saiu mais forte do que entrou.

Marília conseguiu o quase inimaginável: ela lançou dúvidas sobre a estratégia adotada pelo prefeito de Belo Horizonte para combater o Covid-19 e criou um contraponto sensato ao prefeito Alexandre Kalil.

Se na capital Kalil fez da intransigência sua marca de sucesso; em Contagem Marília adota o diálogo como caminho preferencial. Ela não negou a doença ou diminuiu sua importância, mas também não “atropelou” as razões justas daqueles que questionam as medidas mais radicais de isolamento social.

Foram realizadas reuniões com o presidente da Câmara, Vereador Alex Chiodi; com os camelôs; com os representantes dos cristãos da cidade, com a CDL e com representantes de diversos setores econômicos da cidade. Em todas essas reuniões a prefeita estava presente e liderando o diálogo.

Nada é por acaso; nem na vida nem na política. Nas apresentações e entrevistas divulgadas até agora é comum aparecer a frase “Contagem agora tem prefeita…” Essa estratégia de destacar o protagonismo de Marília Campos foi o caminho adotado e trilhado nessa primeira semana.

Isso fica mais evidente quando analisamos as notícias pautadas pela prefeitura. Desde o dia 1º de janeiro, o governo postou 13 notícias em seu site. Os títulos de onze dessas notícias começavam com “Prefeita Marília” ou simplesmente “Marília Campos”.  E mais, entre as imagens utilizadas para ilustrar, doze das treze notícias traziam a imagem da prefeita em destaque.

Para se fazer uma comparação, considerando as treze primeiras notícias postadas no governo Alex de Freitas, apenas uma citava o prefeito no título; nas imagens, somente três estampavam a imagem de Alex de Freitas com destaque.

Marília optou por caminho diferente. Ela assumiu pessoalmente o protagonismo do governo em vários setores, de saúde a obras. Todas as pautas principais do governo tiveram a participação da prefeita. A mensagem principal que fica para quem acompanha as notícias foi que estamos sob nova direção e não há dúvidas sobre quem manda na prefeitura. A mensagem é clara, quem manda é ela, “Contagem tem prefeita”.

Há quem possa criticar. Mas é um bom sinal. Ao mesmo tempo em que propõe o diálogo, a administração municipal impõe o limite e deixa claro a hierarquia. Mais que isso, os eleitores votam esperando que aquele em que depositaram a confiança trabalhe para resolver os problemas. É isso que Marília demonstrou: trabalho pessoal.

Curioso que tudo isso acontece na semana em que o presidente Bolsonaro disse que “o país está quebrado” e que ele “não pode fazer nada”.

Se por aqui seguissem o exemplo de Brasília, Marília poderia assumir e dizer “derrubaram o Iria Diniz e eu não posso fazer nada” ou ainda “Belo Horizonte fechou o comércio e eu não posso fazer nada, vamos fechar também”. Mas optou-se nesta semana por um caminho próprio.

O tempo irá dizer se é possível sustentar o ritmo de trabalho. O desafio que o governo tem pela frente não é prova de velocidade, é uma maratona. Mas, considerando todo o contexto, Marília conseguiu um bom começo de governo na cidade.

foto: PMC/Secom

Semana marcada por uso de mentiras na campanha de Felipe Saliba. Justiça teve que intervir várias vezes

Infelizmente, o uso de mentiras na campanha eleitoral tem sido uma constante. Mesmo quando não está presente na campanha oficial, se espalha na rede de apoiadores. Sempre de forma orquestrada. Nesta semana, a justiça interviu várias vezes para impedir ações ilegais e mentiras entre os apoiadores de Saliba.

A última decisão ocorreu hoje, sábado. A justiça mandou recolher folhetos de campanha dizendo que Marília era apoiada pelo Prefeito Alex de Freitas. Isso é mentira e a justiça mandou recolher.

O prefeito Alex de Freitas não apoia candidatos nesta eleição. Contudo, muitos de seus apoiadores políticos participam efetivamente da campanha de Felipe Saliba.

Ainda durante a semana, a justiça tinha mandado recolher bandeiras irregulares fazendo campanhas contra o PT, mas que não tinham a marca da campanha e caracterizavam uso de dinheiro não declarado. Um candidato pode falar mal do partido do outro, nada impede na legislação eleitoral. O que a justiça não permite é que seja feito material de campanha sem declarar origem ou utilizando recursos não contabilizados no caixa oficial de campanha.

Também circulou entre os apoiadores de Felipe Saliba, mentiras em relação a projetos de Marília Campos. Uma dessas dizia que o PT quer criar banheiros unissex nas escolas. Coisa semelhante foi feita contra a candidata Manuela Dávila em Porto Alegre. Obviamente é mentira.

Chega a ser tão ridículo que dá vontade de rir. Não se pode proteger quem espalha uma bobagem dessas e não se pode inocentar quem acredita. Quem acredita em coisa tão ridícula e vota com base em mentiras tão escancaradas, é tão criminoso quanto o mentiroso.

É coisa parecida com quem votou em Bolsonaro com medo do Kit Gay. Cidadãos do Brasil, não se iludam. É uma mentira criada como piada que se espalha e os ingênuos acreditam. Ou melhor, os mal intencionados acreditam. Digo mal intencionados, pois é uma mentira tão óbvia que a pessoa só acredita porquê quer. É claro até para o mais ingênuo dos cidadãos que a coisa é impossível e mentirosa. Mas ainda assim a pessoa acredita.

Portanto, alguém que utiliza uma mentira para sustentar uma opinião, é uma pessoa mal intencionada; não importa se é educado ou analfabeto, rico ou pobre, de direita ou de esquerda. Se a pessoa utiliza uma mentira para justificar sua opinião, ela é mal intencionada e diria até que é mau caráter.

A rede de apoio de Felipe Saliba em Contagem usou e abusou da mentira. Se alguém mente enquanto ainda é candidato, o que me faz crer que ela falará a verdade depois de eleita? O Felipe Saliba é um desconhecido, não tem história em Contagem, portanto, não podemos afirmar que ele concorde com essas mentiras. Mas ele tem se beneficiado disso e tem ficado calado.

Se uma pessoa fica calada diante de uma injustiça, apenas pelo fato de que essa injustiça vai favorece-lo, então esta pessoa é cúmplice da injustiça.

Não precisamos nem merecemos governantes injustos. Por isso, nestas eleições, o Coluna1 optou por Marília Campos e declara voto na ex-prefeita, número 13.

Nova pesquisa confirma liderança de Marília Campos(PT) e abre uma corrida pelo segundo lugar

Pesquisa não define eleição. Isso é uma certeza. Mas indica caminhos para as campanhas de cada candidato. O resultado da última pesquisa, divulgada pelo instituto CP2 e Jornal O Tempo pode abrir uma corrida agressiva pelo segundo lugar. Ao mesmo tempo que mostra que, se nada mudar no cenário, Marília Campos pode vencer no primeiro turno.

Considerando o resultado da pesquisa, a liderança de Marília Campos foi confirmada e ampliada. A candidata petista está com 45,5% das intenções de voto. Na pesquisa anterior, divulgada pelo Instituto Quaest, ela tinha 40%.

A pesquisa indica também uma briga apertada pelo segundo lugar. Doutor Wellington(5,5%) segue em segundo, marcado de perto por Professor Irineu(5,2%), Ivayr Soalheiro(3,2%) e Coronel Fiúza(2,7%).

Neste espaço, ninguém está garantido. Por isso, é possível que a partir de agora cresçam os ataques entre os candidatos que estão em condições de ir para o segundo turno. Para eles, nesse momento, não basta atacar Marília Campos. Eles terão que combater entre si e atacar concorrentes mais próximos, caso queiram um lugar no segundo turno.

Na realidade, considerando a margem de erro de 3,1%, para mais ou para menos, qualquer um dos candidatos no pleito, inclusive os demais que pontuaram menos, teriam condições de ir para um segundo turno. Felipe Saliba (1,9%), Wellington Silveira (1,6%), Maria Lucia Guedes (1,5%), Kaka Menezes (1,1%), Marcio Bernardino (0,9%), Alfredo Cardoso (0,7%), Lindomar Gomes (0,6%), Dulce (0,4%), Alvear Saraiva (0,2%), e até mesmo a candidatura coletiva de Rosa&Stella e a de Sebastião do PCO, podem estar com pontuação diferente da apontada na pesquisa e em condições de um segundo lugar.

UNIÃO DOS ADVERSÁRIOS

A ideia de uma união entre os adversários da petista ainda no primeiro turno exigiria a abdicação de outros candidatos para favorecer um deles. Se essa aliança não foi possível antes da formação das chapas, dificilmente acontecerá de forma pacífica agora. Caso consigam uma articulação capaz de escolher um candidato único contra a petista, é certo que o custo da negociação será muito alto para o candidato beneficiado.

VITÓRIA DE MARÍLIA CAMPOS NO 1ºTURNO

A metodologia utilizada pelos institutos é diferente e dificulta a comparação entre eles, mas ambos indicam uma posição de liderança consolidada de Marília Campos, que está muito a frente de seus adversários.

O pouco crescimento nos índices dos demais candidatos começa a indicar uma possibilidade de vitória ainda no primeiro turno para Marília Campos.

Algo a ser considerado é a grande quantidade de pessoas que ainda se dizem indecisos. Na pesquisa do CP2/DataTempo, o índice de indecisos chegou a 10,8% e a quantidade de pessoas que dizem votar nulo ou branco chega a 18,2%.

Considerando apenas aqueles que escolheram um candidato nominalmente na pesquisa, critério utilizado para totalização de votos e que descarta brancos e nulos, Marília Campos teria 64,08% dos votos e ganharia em primeiro turno.

Hoje, todos os outros candidatos juntos somam 25,7% das intenções de votos. Marília Campos sozinha tem 45,5%. Mesmo que os 10,8% de votos daqueles que ainda não escolheram candidato migrassem para adversários da ex-prefeita, eles somariam aproximadamente 36,5%. Ainda longe de alcançar a petista.

A Pesquisa foi realizada pelo Datatempo/CP2, contratada pela Sempre Editora e divulgada no Jornal O Tempo. Foram ouvidos 1.000 eleitores de Contagem, entre os dias 9 e 10 de outubro. Margem de erro: 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos. Nível de confiança: 95%. Registro no TRE: MG-09308/2020