Compromisso dos brasileiros em pagar suas contas mesmo durante a crise, fez lucro do bancos crescer 53% em 2021

O lucro do setor bancário cresceu 53% em 2021 comparado com igual período de 2020. As razões para esse crescimento são várias, mas duas têm destaque, segundo o Banco Central: o brasileiro continuou pagando as contas em dia, mesmo durante a pandemia; o crédito para micro e pequenas empresas cresceu 35%, com o reaquecimento da economia.

O lucro líquido do sistema financeiro nacional foi, de acordo com o BC, de R$62 bilhões no primeiro semestre de 2021. É uma aumento que já supera os níveis pré-pandemia.

Os bancos brasileiros estão fortes e prontos para enfrentar possíveis cenários de crise. Nem a COVID 19 causou danos maiores ao sistema. A avaliação é do Banco Central (BC), em seu Relatório de Estabilidade Financeira, referente ao primeiro semestre do ano, divulga do hoje (18).

“No primeiro semestre de 2021, o SFN manteve as provisões elevadas, as perdas esperadas com crédito se reduziram, a capitalização do sistema bancário melhorou, e a liquidez manteve-se confortável. Esse desempenho está em linha com a evolução positiva da economia doméstica, em um período de recuperação parcial da confiança dos agentes econômicos e de avanço da campanha de vacinação”, informou o BC.

A principal causa para a recuperação da rentabilidade é o menor volume de despesas com provisões [reservas para pagar dívida]. “A inadimplência sob controle e a materialização de perdas aquém do esperado sugerem que não haverá alteração significativa nas despesas com provisões no curto prazo. Melhoras consistentes nas receitas com serviços e despesas administrativas crescendo abaixo da inflação também têm beneficiado a rentabilidade”, diz o relatório.

Mas a incerteza segue acima do usual, diante da elevação da taxa básica de juros, a Selic, que deve pressionar o custo de captação de crédito, à medida que novas operações forem sendo concedidas. Uma eventual recuperação da atividade mais lenta que o esperado também pode prejudicar o cenário para a rentabilidade do sistema à frente.

Com informações Agência Brasil

Banco Central deve criar uma criptomoeda oficial do Brasil, garantida pelo Banco Central

O Banco Central do Brasil informou que está formulando as diretrizes para criar uma criptomoeda brasileira e oficial. A definição seria uma inovação, já que a maior parte das criptomoedas existentes são informais e sem lastro e, por isso, apresentam, em geral, pouca credibilidade entre os investidores.

Na nota divulgada para informar sobre a moeda o Banco Central ainda confirmou que outros bancos centrais podem estar caminhando no mesmo sentido.

Em nota, a instituição disse que “tem promovido discussões internas e com seus pares internacionais visando ao eventual desenvolvimento” da moeda. Segundo o BC, a moeda deve “acompanhar o dinamismo da evolução tecnológica da economia brasileira”.

O coordenador dos trabalhos sobre a moeda digital do Banco Central, Fabio Araujo, explicou a moeda digital será diferente das criptomoedas. “Os criptoativos, como o Bitcoin, não detém as características de uma moeda mas sim de um ativo. A opinião do Banco Central sobre criptoativos continua a mesma: esses são ativos arriscados, não regulados pelo Banco Central, e devem ser tratados com cautela pelo público”, disse.

Ele acrescentou que a moeda será garantida pelo Banco Central e a instituição financeira vai apenas guardar o dinheiro para o cliente que optar pela nova modalidade.

Diretrizes

Entre as diretrizes estão a ênfase na possibilidade de desenvolvimento de modelos inovadores a partir de evoluções tecnológicas, como contratos inteligentes (smart contracts), internet das coisas (IoT) e dinheiro programável; a previsão de uso em pagamentos de varejo; e a capacidade para realizar operações online e eventualmente operações offline.

A distribuição ao público será intermediada por custodiantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), sem remuneração às instituições financeira pelo BC.

Também deverá ser garantida a “segurança jurídica em suas operações” e a “aderência a todos os princípios e regras de privacidade e segurança determinados, em especial, pela Lei Complementar nº 105, de 2001 (sigilo bancário), e pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais”.

De acordo com o Banco Central, a tecnologia de criação da moeda deve “seguir as recomendações internacionais e normas legais sobre prevenção à lavagem de dinheiro, ao financiamento do terrorismo e ao financiamento da proliferação de armas de destruição em massa, inclusive em cumprimento a ordens judiciais para rastrear operações ilícitas”. A moeda também deve permitir pagamentos em outros países.

Cronograma

Na nota, o BC diz ainda que é preciso aprofundar a discussão com o setor privado antes de definir um cronograma de implementação da moeda. “O diálogo com a sociedade permitirá uma análise mais detalhada não apenas de casos de usos que possam se beneficiar da emissão de uma CBDC [sigla em inglês referente a Central Bank Digital Currencies, moedas digitais emitidas pelos bancos centrais], como também das tecnologias mais adequadas para sua implementação”.

Segundo Araujo, a expectativa é que sejam reunidas as condições necessárias para que a implementação da moeda em “dois ou três anos”. “As condições são a tecnologia e segurança que atendam às diretrizes que foram determinadas hoje pelo Banco Central”, disse.

com informações da Agência Brasil

Banco Central aumenta previsão de inflação para 2021. País está no limite da meta estabelecida pelo governo

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano subiu de 4,92% para 5,01%. A estimativa está no boletim Focus de hoje (26), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC), com a projeção para os principais indicadores econômicos.

Para 2022, a estimativa de inflação é de 3,6%. Tanto para 2023 como para 2024 a previsão para o indicador é de 3,25%.

O cálculo para 2021 está próximo do limite da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. O centro da meta, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3,75% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 2,25% e o superior de 5,25%.

Taxa de juros

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, fixada atualmente em 2,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2021 em 5,5% ao ano. Para o fim de 2022, a estimativa é de que a taxa básica suba para 6,13% ao ano. E para o fim de 2023 e 2024, a previsão é de 6,5% ao ano.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Além disso, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

A taxa Selic mais alta dificulta a recuperação da economia. Ainda assim, ao elevar a Selic para 2,75% na última reunião, o Copom sinalizou que deve haver nova alta no indicador no encontro do próximo mês. Para o comitê, entretanto, os choques inflacionários devem ser temporários.

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

As instituições financeiras consultadas pelo BC elevaram a projeção para o crescimento da economia brasileira este ano de 3,04% para 3,09%. Para o próximo ano, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – é de crescimento de 2,34%. Em 2023 e 2024, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 2,5%.

A expectativa para a cotação do dólar se mantém em R$ 5,40 ao final deste ano. Para o fim de 2022, a previsão é de que a moeda americana continue nesse patamar.

fonte: Agência Brasil

Governo culpa dólar pelo aumento da gasolina, no mesmo dia em que abre mão do controle sobre política cambial

No dia em que os brasileiros precisam engolir mais um aumento no preço da gasolina, o presidente Jair Bolsonaro colocou culpa no Dólar alto. Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, o governo defendia a autonomia do Banco Central, órgão responsável por intervir na política cambial.

O preço do petróleo atingiu seu auge em 2018, com R$80 o barril, mas de lá para cá caiu e vem oscilando entre R$60 e R$40. Porém, apenas em 2020 foram 29% de aumento no valor do dólar. Esse aumento é o que tem pesado no preço da gasolina aos consumidores.

O governo Jair Bolsonaro dolarizou o preço dos combustíveis ao adotar a “paridade internacional”. Na prática significa que o preço dos combustíveis no país passou a variar de acordo com o preço internacional, geralmente estabelecido em dólar. Por isso, uma alta expressiva no dólar provoca também uma alta dos combustíveis.

Em discurso hoje, o presidente Bolsonaro falou sobre o assunto. Ele negou que irá intervir no preço dos combustíveis e disse “o ideal, como tenho conversado com o prezado Roberto Campos Neto (presidente do Banco Central) é o dólar baixar. Mas baixar como? Com o parlamento colaborando na votação de projetos”, disse.

Contudo, a afirmação do presidente considera apenas um aspecto da variação do dólar.

A confiança dos agentes de mercado no governo é um dos fatores de influência no preço do dólar, mas não é o único e nem o principal na determinante do câmbio.

A declaração do presidente desconsidera a existência da “Política Cambial” brasileira.

Essa política cambial são as normas definidas pelo Banco Central para intervir no mercado financeiro e fazer o valor do dólar subir ou descer, de acordo com as necessidades de cada momento.

A “Política Cambial” permite que o governo faça grandes negociações, comprando ou vendendo dólar, para regular seu preço.

Se aprovada a autonomia plena do Banco Central, tal como proposto o governo federal perderia sua capacidade de intervir no câmbio.

De acordo com o próprio Banco Central, “a condução da política cambial afeta diretamente a vida do cidadão, mesmo que não tenha transações com exterior. A taxa de câmbio reflete nos preços dos produtos que o país importa e exporta, influenciando assim os demais preços da economia”.

É uma decisão do Banco Central, mas que até hoje segue as diretrizes estabelecidas pelo Governo Federal.

Em momentos como este, destacam-se os riscos de autonomia plena nas ações do Banco Central. Uma divergência entre banco central e governo coloca em risco a própria execução das políticas de governo.

O Banco Central controla as reservas cambiais do país, passar este controle exclusivamente para o Banco Central significa submeter a condução econômica do país aos interesses do mercado financeiro, que quase nunca coincidem com o interesse dos consumidores, trabalhadores e contribuintes.

Em entrevista ao site Brasil de Fato, o sociólogo e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Jessé Souza, disse que a aprovação do projeto pode aprofundar o maior mecanismo de desvio de verba pública existente hoje no país, que entrega nossas riquezas às instituições financeiras.

 “O governo Bolsonaro é um governo onde essa política do saque financeiro é o ponto principal. Estamos vendo isso acontecer numa velocidade inigualável. O poder da elite, a influência dos banqueiros, se dá de modo velado, na surdina, como estamos vendo com essa votação”, avalia o sociólogo.

Souza considera que a informação sobre os impactos dessa medida não chegam na população. “Não há pluralidade, diálogo. Projetos como esse refletem interesses pessoais, de elite, e só aumentam a desigualdade no país”, disse

DIFERENÇAS ENTRE BRASIL E ARGENTINA

A Argentina também está enfrentando problemas relacionados a inflação. No caso deles os itens que têm pesado mais são os alimentos, de acordo com reportagens do JornalClarin

A justificativa do aumento lá é igual à justificativa do aumento aqui: o aumento do dólar. No caso deles, o governo acusa os produtores de estarem priorizando as exportações e deixando faltar alimentos para o mercado interno.

Contudo, no país vizinho, o presidente Alberto Fernandez convocou representantes dos empresários e ameaçou aumentar taxação e restrições a exportação de produtos essenciais como forma de garantir o abastecimento da população e o controle de preços.

O excesso de intervenção no setor produtivo também pode ser prejudicial. Mas é fundamental ter instrumentos para regular o mercado, se assim for necessário.